Estágio Supervisionado "Escola Municipal David Carneiro"
FACULDADE PADRE JOÃO
BAGOZZI
ESTÁGIO
SUPERVISIONADO EM
LICENCIATURA PLENA EM
PEDAGOGIA
PRÁTICA DE ENSINO DA
EDUCAÇÃO INFANTIL
(ESCOLA MUNICIPAL
DAVID CARNEIRO)
ATIVIDADES
DE PRÁTICA DE FORMAÇÃO EM EDUCAÇÃO INFANTIL REALIZADA DE 18/02 A 07/03/2013
AGRADECIMENTOS
A concretização deste trabalho só foi possível a conjunto de condições e meios posto à disposição, bem como à dedicação, empenho e vontade de vários intervenientes, a quem gostaria de expressar meu mais profundo e sincero agradecimento.
A Deus, a razão do meu existir.
Porque nada se move sem a sua vontade,
Obrigado Senhor!
A minha irmã, Silmara Marcela Dobjenski
Sem o seu infindável apoio e incondicional companheirismo,
Nunca teria chegado onde me encontro hoje.
Aos meus pais:
Onde quer que estejam pela orientação, dedicação e pela minha formação determinada e lutadora.
A você Professor Orientador Helton Real:
Quero agradecer o encorajamento e amizade com que me acompanhou e o interesse a nos ajudar, o qual também representa um reconhecimento especial pelos meios técnicos postos a disposição.
A concretização deste trabalho só foi possível a conjunto de condições e meios posto à disposição, bem como à dedicação, empenho e vontade de vários intervenientes, a quem gostaria de expressar meu mais profundo e sincero agradecimento.
A Deus, a razão do meu existir.
Porque nada se move sem a sua vontade,
Obrigado Senhor!
A minha irmã, Silmara Marcela Dobjenski
Sem o seu infindável apoio e incondicional companheirismo,
Nunca teria chegado onde me encontro hoje.
Aos meus pais:
Onde quer que estejam pela orientação, dedicação e pela minha formação determinada e lutadora.
A você Professor Orientador Helton Real:
Quero agradecer o encorajamento e amizade com que me acompanhou e o interesse a nos ajudar, o qual também representa um reconhecimento especial pelos meios técnicos postos a disposição.
EPÍGRAFE
“Brincar com crianças não é perder tempo,
É ganhá-lo; se é triste ver meninos sem escola,
Mais triste ainda é vê-los sentados
Enfileirados em salas sem ar,
Com exercícios estéreis,
Sem valor para a formação do homem.”
(Carlos Drummond de Andrade).
“Brincar com crianças não é perder tempo,
É ganhá-lo; se é triste ver meninos sem escola,
Mais triste ainda é vê-los sentados
Enfileirados em salas sem ar,
Com exercícios estéreis,
Sem valor para a formação do homem.”
(Carlos Drummond de Andrade).
- INTRODUÇÃO
O presente relato vem de encontro como parte da compreensão de que o propósito
da escola é que as crianças obtenham os conhecimentos produzidos pela
humanidade, ampliem as possibilidades para operá-los, transformá-los e
redirecioná-los tendo como meta alavancar os avanços da civilização a serviço
da humanização da sociedade, desde a tenra idade.
Portanto, a prática do Estágio Curricular Supervisionado na educação
infantil, muito mais é do que o cumprimento de um requisito legal constitui-se
num espaço privilegiado de aprendizado para o discente em contato com a
realidade da Educação Básica, processo este que permite desenvolver
habilidades, competências e conhecimentos trabalhados ao longo do Curso.
A inserção do discente nessa realidade interinstitucional tem como foco
possibilitar a aplicação dos conteúdos adquiridos durante a formação e
socializar experiências, unir teoria e prática para refletir com mais profundidade
sobre o Curso que se faz e a carreira que poderá, diplomado, vir a assumir.
Outro elemento fundamental que soma para o exercício do Estágio
refere-se à interdisciplinaridade possível, especialmente entre as Práticas
Pedagógicas, a Didática e os Fundamentos Metodológicos disciplinares que
trabalham as diferentes áreas do conhecimento, uma vez que, são campos de articulação
pedagógica.
Observa-se que a Educação Infantil, atualmente, adquiriu nova dimensão,
no qual o processo de escolarização da infância engaja as crianças em práticas
educativas específicas, com tempos e espaços diferenciados, posicionando-as em
lugares socialmente demarcados e distintos.
Portanto, o que se percebe é o fato de que as crianças, chegando à
escola cada vez mais cedo, se alfabetizando em um contexto tecnológico e
apropriando-se do conhecimento globalizado, tendem a serem mais bem sucedidas
em sua jornada futura em busca de seu lugar na sociedade. Mas, subentende-se
que somente com a contribuição de programas de apoio às comunidades com maior
grau de vulnerabilidade social, tais perspectivas serão alcançadas.
2. PROCEDIMENTOS E METODOLOGIA
A partir da observação sistemática do trabalho da gestão, dos educadores
e dos demais funcionários da Escola DAVID CARNEIRO, assim como, o espaço físico
estrutural e da metodologia pedagógica, será possível chegar aos objetivos
propostos pelo estágio.
Os procedimentos metodológicos adotados são de pesquisa de campo com
coleta de dados em uma ação descritiva, interpretativa e reflexiva. A forma de
pesquisa objetivou o levantamento de dados e considerou a observação em
detalhes que foram desde o comportamento dos educandos no antro da instituição até
a interação dos mesmos no processo de ensino/aprendizagem em sala de aula e
atividades extraclasse.
Primeiramente, pode-se afirmar que a referida pesquisa na modalidade de
Educação Infantil, visou facilitar o entendimento da complexidade da relação
comunidade/escola e professor/aluno. Para tal, buscou-se levar em consideração
as dificuldades existentes na região que abriga a comunidade escolar com suas
particularidades.
O estágio em Educação Infantil será exercido na quinta fase do curso de
Pedagogia da Universidade Padre João Bagozzi, na Escola David Carneiro,
instituição da rede regular pública municipal de Araucária, situada no Bairro Jardim
Menino Deus- Costeira, constando das seguintes etapas: observação, registro e
reflexão a cerca do cotidiano vivido pelas crianças no espaço da educação
infantil.
Acredita-se que esse primeiro contato, com as crianças e com a
instituição é de fundamental importância, pois trás uma visão dos conteúdos que
podem vir a ser trabalhados, as atitudes adotadas, as necessidades, bem como propicia
a aproximação estagiaria/regente/crianças.
3. DESCRIÇÃO
3.1. CONCEPÇÃO PEDAGÓGICA DA
INSTITUIÇÃO - 18 DE FEVEREIRO DE 2013
O reconhecimento da unidade teve início em 18 de fevereiro de 2013, com
as observações entendidas como essenciais, para um processo de reflexão acerca
da dinâmica de trabalho a ser desenvolvido, proporcionando o pensar na
elaboração de um projeto de estágio, tendo como objetivo primordial contribuir
para a qualidade da Educação Infantil da Instituição, observar detalhadamente as
relações entre educadores, educados, gestores e demais funcionários envolvidos
no processo de ensino/aprendizagem das doze turmas de Educação Infantil.
O primeiro contato aconteceu numa reunião com a coordenadora pedagógica,
a diretora, e o corpo docente. A conversa inicial foi muito acolhedora, pois percebi
que era bem vinda à instituição e, que mais do que mera observadora, me foi
proposto à possibilidade de participar, de contribuir no trabalho realizado
pelas educadoras. Passei ainda por um rodízio nas salas o que permitiu
uma primeira aproximação com as crianças, com os profissionais e com o
tempo/espaço da instituição.
Nesta primeira etapa tudo era expectativa, curiosidade e ansiedade para
conhecer o grupo docente e as crianças e principalmente verificar a turma que
mais se adequaria ao meu perfil para a realização das regências.
Nas primeiras horas dentro da Escola logo fui surpreendida com o convite
para participar da reunião com docentes, gestores e coordenação pedagógica fato
que me assustou por hora, mas muito me motivou. A recepção foi calorosa e me
senti “em casa” tamanha o carinho e atenção que dispensaram para comigo.
Logo após o Pedagogo se incumbe de mostrar-me todos os espaços da
instituição, relatando um pouco da história da mesma e os desafios enfrentados,
a cada parecer percebia-se o amor e a dedicação empregados ali.
A instituição de educação infantil é um espaço de cuidado e educação,
organizado e planejado para atender crianças de 3 meses a 5 anos, tendo como
papel fundamental ajudar a criança a ser inserida na cultura, compartilhando
com a família a responsabilidade pela formação humana.
3.2 CONCEPÇÃO DE CRIANÇA
As crianças são bastante receptivas, tanto quanto a equipe pedagógica,
dentre tantas instituições que me acolheram esta parecia um sonho, um espaço
muito bem elaborado e pensado em cada detalhe.
Uma interação entre os aspectos da natureza e da cultura eram claramente
observados e as especificidades do ser criança numa determinada sociedade vai a
cada passo se concretizando. A criança de 0 a 5 anos vive um período evolutivo
fundamental, uma vez que seu cérebro apresenta uma grande plasticidade,
determinando uma imensa possibilidade de aprender, maior do que em qualquer
outro momento de sua vida. A criança é considerada como sujeito e as relações
que com ela se estabelece devem privar os desejos, as opiniões, a capacidade de
decidir, as maneiras de pensar, de se expressar e as formas de compreender o
mundo, tais atitudes são extremamente respeitadas na instituição.
A criança aqui na Escola
Municipal Davi Carneiro constrói uma história pessoal, que vai se fazendo na
cultura familiar e que se define em função da classe social que sua família
ocupa, do espaço geográfico que habita, da cor de sua pele, do sexo a que
pertence das especificidades de seu desenvolvimento e das vivencias
socioculturais, podendo a mesma ser entendida como um ser que é capaz de
construir sua identidade e sua cultura, um ser social.
3.3
O PAPEL DO PROFESSOR
O professor de educação infantil da
Escola David Carneiro busca conhecer o processo de desenvolvimento das crianças
com as quais trabalham, desafiando e intervindo na sua zona de desenvolvimento
proximal. Tais processos favorecerem as diversas interações entre as crianças e
delas com os adultos, dentro e fora da instituição, propiciando avanços que não
ocorreriam espontaneamente.
3.4 O PAPEL SOCIAL DA ESCOLA
É papel da instituição de Educação Infantil desenvolver todas as demais
formas de linguagem, fazendo a mediação entre a criança e a cultura e
possibilitando seu acesso as fontes de conhecimento. A Escola DAVID CARNEIRO
visa transmitir com qualidade o conhecimento historicamente acumulado a todos
os alunos, acreditando que deve preocupar-se com a formação do homem atual em
relação a sua época e comprometido com a construção de uma sociedade igualitária.
A educação que se inicia na tenra
idade tem caráter de possibilitar o desenvolvimento para as mais diversas áreas
de conhecimento. Mas para tanto, é preciso conhecer as crianças em sua concretude,
isto é, conhecer os saberes, valores e práticas nos quais elas estão se
constituindo, bem como conhecer as especificidades e necessidades de cada faixa
etária levando-se em conta esses conhecimentos na organização das propostas
pedagógicas. A Escola Davi Carneiro prega tal requisito como elemento propulsor
para a formação de cidadãos reflexivos e participativos da sociedade em que
vivem.
4.
CARACTERIZAÇÃO DA UNIDADE ESTAGIADA
A Escola David Carneiro, localizada na Rua Bernardino Lemos, 326-Jardim
Menino Deus - Costeira- Araucária, possui 12 salas para atendimento do público
infantil, salas estas bem decoradas e equipadas.
O centro de educação infantil é um complexo anexo a Escola Municipal de
mesmo nome, fundada em 07 de julho de 1970 pelo então prefeito Rízio Wachowicz.
As crianças sentam-se em mesas
pequenas com quatro cadeiras que ficam dispostas de forma que todos se
socializem. As salas são bastante coloridas, com uma decoração atrativa, muitos
cartazes enfeites confeccionados pelas professoras, alguns trabalhos aparecem
expostos. É possível perceber que em cada trabalho há individualidade de cada
um dos alunos, um pouco da história e das suas perspectivas de vida. São
crianças receptivas, alegres e participantes, visto que o estimulo ocorre desde
os bebês até os maiores.
Nas salas do pré há alfabeto colorido fixado na parede,
numerais, vogais, animais, objetos e um quadro de pregas no qual ficam os
crachás na forma de lápis com o nome e a foto de cada um dos alunos. Também se
observam formas geométricas expostas ao alcance das crianças para que elas
possam manuseá-las.
Os brinquedos pedagógicos ficam na Brinquedoteca, usada por
todas as turmas uma vez na semana. Mas um fato me chamou atenção, existem jogos
confeccionados pelas professoras que ficam guardados em caixas nos armários
usados para o estímulo dos discentes no dia a dia.
As crianças se movimentam pela sala, com liberdade, quando querem
tomar água, se dirigem ao bebedouro que fica na lateral interna da sala,
mostrando sua independência e autoconfiança, para ir ao banheiro pedem
permissão com naturalidade, pois a professora é gentil com todos e quando
necessitam de ajuda existem as estagiárias que os auxiliam.
As professoras demonstram ter conhecimento, são seguras, em
sua grande maioria possuem o magistério aglutinado da licenciatura em
Pedagogia, concluída ou em curso e muitas buscam cursos de extensão. É
perceptível o gosto das docentes pela leitura e pela pesquisa, havendo a sua
disposição diversos livros os quais usam para planejar suas aulas. Demonstram
ter interesse por outras áreas de conhecimento. Tem uma postura aberta ao ato
de conhecer, refletir sua prática e o interesse pelo aprendizado dos discentes
é nítido.
Tanto professoras quanto estagiárias dirigem-se aos alunos de forma
carinhosa, porém sempre firme, ganhando e conquistando o respeito e a
admiração, o tratamento usual é tia.
Um fato que logo me marcou positivamente, nesse primeiro contato foi à
chegada de um aluno até mim, curioso sobre a minha presença ali e logo me
chamou para ver o que ele fazia se referindo a minha pessoa como muito Alegre
fato este que me remete a um passado na instituição Anette Macedo na qual era
conhecida por Tia Feliz. Fiquei perplexa e feliz ao mesmo tempo, tendo a
certeza de que realmente escolherá o caminho, a profissão certa.
Mas continuando, quando há algum conflito entre os alunos as professoras
resolvem o incidente com uma conversa com os envolvidos e o mesmo é resolvido
na sala mesmo. Os alunos demonstram achar a professora correta e participam
efetivamente, tendo um contato que vai muito além de professor aluno e sim de
mediador e incentivado.
Na rotina das salas percebe-se que há variações, pois há atividades
em muitas categorias, porém tudo acontece espontaneamente não segue uma
rotina, somente no horário de entrada, lanche e saída.
Quanto à organização da rotina os alunos têm livre arbítrio de opinar.
As crianças sugerem, escolhem e são sempre ouvidas com atenção pelas
professoras. As atividades desenvolvidas na sala de aula sempre fazem parte de
projetos que surgem a partir do interesse e da necessidade da turma. E acontece
de forma interdisciplinar.
As brincadeiras e brinquedos são atividades integradas aos
conteúdos desenvolvidos nas salas de aula pelas professoras, as quais
acompanham os alunos durante as mesmas.
O processo avaliativo é
realizado constantemente, as crianças são avaliadas sem que percebam, segundo o
que me informou o Pedagogo.
Os limites e o tempo de aprendizagem são respeitados.
Questionei sobre a questão da violação dos direitos da criança, visto
que tal instituição se encontra em uma zona periférica do município de
Araucária, logo o Pedagogo ressaltou que tais questões são raras, mas quando
acontecem são tratadas com acompanhamento legal necessário.
O primeiro dia se findava com a sensação de dever cumprido e o gostinho
de quero mais e principalmente com o desafio de apresentar um
projeto/planejamento que satisfizesse a qualidade observada ali.
5.
MODALIDADES DE ATENDIMENTOS E SUPRIMENTOS DE RECURSOS DA ENTIDADE – 19 de
fevereiro de 2013
Mais um
dia se inicia novas descobertas, novos horizontes me aguardam. Hoje conheceria
mais um pouco da instituição na qual faria meus estágios e posteriormente as
regências, queria estar interada de cada fato, de cada pedacinho e conhecer sua
história. História de um município que muito me atraia por ser a terra natal do
meu grande herói, MEU PAI, e meu coração sabia que onde ele estivesse estaria
sorrindo por estar ali compartilhando um pedaço do que ele mais amava.
A Escola
Municipal Davi Carneiro possui este o nome desde 1971, no início era uma
instituição pequena, construída no mandato do Dr. José Tadeu Saliba. No início
a escola era composta de duas salas de aula, duas áreas cobertas, dois
sanitários, um poço de água potável, uma horta e uma cantina, tais elementos
são visíveis nas placas e documentos espalhados pela instituição.
Somente
no mandato de Rogério Donato Kampa (figura celebre do município de Araucária,
cuja qual tive o prazer de conhecer) passou a atender uma demanda maior de
alunos, atendendo uma clientela de educação infantil, ensino fundamental e
médio, educação especial e EJA, fato este me informado pelo Pedagogo, que mais
uma vez fez questão de me acompanhar na visita e apresentar cada espaço, mesmo
aqueles que não fariam parte da minha atuação.
A
instituição possui na Educação o caminho para crescer pessoal e
profissionalmente, questionar com o aluno a sua realidade, formulando problemas
e tratando de resolvê-los, utilizando para isso o pensamento lógico, a
criatividade, a intuição, a capacidade e análise crítica, selecionando
procedimentos e verificando sua adequação, apropriando-se de conteúdos a fim de
instrumentalizá-los no exercício da cidadania.
Saviani
(2000 p. 41), afirma que o caminho do conhecimento. “É perguntar dentro da
cotidianidade do aluno e na sua cultura; mais que ensinar é aprender um conhecimento,
é preciso concretizá-lo no cotidiano, questionando, respondendo, avaliando, num
trabalho desenvolvido por grupos e indivíduos que constroem o seu mundo e o
fazem por si mesmos.”
Para isso
um trabalho em conjunto numa gestão democrática de forma significativa de
consolidação em uma linha comum de atuação é muito importante, envolvendo toda
a comunidade escolar.
Para
estimular a participação coletiva da comunidade na vida da entidade, a Escola
usa de todos os meios que dispõe, realizando reuniões, confraternizações, etc.,
com resultados positivos.
A escola
mantém vínculos estreitos com a comunidade educativa, com a Universidade
Federal do Paraná e com a UTFPr, os pais participam do Conselho Escolar, da
Associação de Pais e Mestres, da elaboração do Projeto Político Pedagógico e no
acompanhamento e avaliação da qualidade dos serviços prestados.
A Escola
Municipal David Carneiro atende as modalidades de Educação Infantil, Ensino
Fundamental e Médio, Educação de Jovens e Adultos e Classe de Educação
Especial, seu horário de funcionando é no período diurno e noturno para as
classes de Ensino Médio Regular e EJA.
As turmas
são organizadas conforme ordem de matrícula observando-se possíveis pedidos do
aluno e ou pais quanto á permanência na mesma turma de irmãos ou primos priorizando
a valorização das diferenças individuais, fato este me informado pela
secretária.
As turmas
são distribuídas na medida do possível, conforme o interesse do professor em
trabalhar com essa ou aquela turma, levando em consideração sua formação e interesses.
As turmas do Ensino Fundamental e Médio contam com mais de 45 alunos, as
classes especiais contam com cerca de 10 alunos, as turmas de EJA com 20 alunos,
fatos que o Pedagogo fez questão de ressaltar e me mostrar, mesmo fugindo da
área de pesquisa proposta. A educação infantil no berçário se divide em duas fases
a primeira de 03 a 06 meses com 10 bebês e a segunda de 6 a 1 ano com 10 bebês,
já as turmas de maternal e pré contam com 28 alunos cada.
6.
CARACTERIZAÇÃO DA COMUNIDADE
A Escola Municipal David Carneiro, atende uma
clientela de nível socioeconômico médio-baixo, oriunda de uma classe de
trabalhadores, muitas vezes sem vínculo empregatício, não inserido no mercado
de trabalho ou oriundos de subempregos.
A comunidade na qual a Escola está inserida
necessita de uma atenção especial dos educadores, fato que pude observar na
andança pelos arredores e no caminho que perfiz até chegar à mesma. Como indica
Saviani “a mediação da escola, instituição especializada serve para operar a
passagem do saber espontâneo ao saber sistematizado, da cultura popular à
cultura erudita, assumindo um papel político fundamental”.
E, como se sabe a profunda segmentação social,
decorrente da má distribuição de renda, tem funcionado como um entrave para uma
parte considerável da população. A comunidade de inserção da instituição não
foge deste parâmetro, então aí é que a Escola deve intensificar o relacionamento,
interagindo e procurando atuar de forma contínua e permanente para favorecer a
compreensão dos fatores políticos, sociais, culturais e psicológicos, dando oportunidade
aos alunos de adquirirem conhecimentos sistematizados para que interfiram
criticamente na realidade a fim de transformá-la.
Entretanto a comunidade é participativa e, acompanha
e participa do desenvolvimento escolar das crianças.
Lendo tais relatos e presenciando alguns fatos
me emocionei ao perceber a possibilidade e a luta de condições mais dignas de
educação e sobrevivência pleiteadas por educadores que muitas vezes vem de
longe para exercer a grata função de ensinar, bem como de voluntários e pesquisadores
de entidades públicas que visam colaborar na formação da criança desde os
primeiros anos.
É visível
o grande empenho dos professores, especialistas em educação e direção em buscar
alternativas para sanar as dificuldades dos alunos que chegam à instituição
muitas vezes sem nem um alimento para satisfazer sua fome. Os alunos que
necessitam de atendimento especializado são encaminhados para avaliação médica,
psicológica, fonaudiológica ou psicopedagógica que é oferecida pela Prefeitura
municipal.
Alguns pais, membros da associação de bairro e
outros moradores são colaboradores em atividades promovidas pela escola,
projetos, festas e comemorações. Os professores são responsáveis, dedicados,
buscam orientação junto à supervisão e em outras fontes para que possam
aperfeiçoar o atendimento aos alunos.
A escola
desenvolve vários projetos com o objetivo de levar os alunos a formar
habilidades e competências essenciais para a sua formação integral. As aulas de
Educação Física acontecem desde as turmas de maternal I visando o incentivo
esportivo das crianças, com a colaboração de acadêmicos da Pontifícia
Universidade Católica, Faculdade Dom Bosco e UFPR.
Ao final
deste dia cansativo, me peguei a pensar e refletir sobre a realidade em que
vive a população brasileira, sem condições dignas de saúde, de sobrevivência e
cheguei à conclusão que cabe a cada um de nós futuros profissionais de Educação
fazer a diferença e lutar para que a Educação aconteça de modo justo e
igualitário, pesquisado cada elemento e contribuindo em cada passo dado para um
futuro mais promissor.
7. PLANO DE
GESTÃO DE EDUCAÇÃO DEFENDIDO PELA ENTIDADE E COMUNIDADE ESCOLAR- 20 de
fevereiro de 2013
Mais um dia de trabalho se inicia na Escola que
tanto tem me feito pensar e refletir sobre a verdadeira função de ser
professor, pedagogo ou pesquisador de novos meios para tornar a educação
elementar e um fator que atenda desde a classe menos privilegiada até o mais
alto escalão com o mesmo amor e fidelidade, pois do que adianta um país
analfabeto incondicional, sem condições participativas e opinantes na sociedade
em que habitam?
Hoje o
Pedagogo não pode me acompanhar, mas fui conduzida pela professora Raquel na
visita pela instituição.
A Escola Municipal
David Carneiro, tem no núcleo de Educação Infantil o principal foco da
existência dos projetos administrados pela entidade. O perfil político
pedagógico da Escola apresenta-se como uma instituição educacional identificada
com o comprometimento da construção de uma sociedade com menos desigualdade social.
A entidade tem como eixo
principal de seu trabalho a aprendizagem, desta forma, mais importante do que
saber o que se ensinar, é saber como ensinar e como se desenvolve o processo de
aprendizagem.
Sendo assim, percebe-se a necessidade
de docentes realmente envolvidos com processo de aprendizagem de seus alunos,
no sentido de estarem preparados para os diferentes desafios que permeiam a
prática de ensino e o desenvolvimento do educando.
8.
ESTRUTURA FÍSICA E DE RECURSOS HUMANOS DA ESCOLA
O espaço
físico da escola é muito bem estruturado, o prédio possui dois pavimentos -
sendo que o pavimento superior agrega 10 salas de aula, 01 laboratório de
informática, banheiro para alunos, banheiro para deficientes, sala de
permanência, sala de acervo de livros, biblioteca. No pavimento inferior 05
salas de aula, LAAP – laboratório de Apoio a Aprendizagem, Banheiro para
alunos, secretária, cozinha, setor pedagógico, sala da direção, sala dos
professores, almoxarifado, banheiro para professores e funcionários, banheiro
para deficientes físicos, almoxarifado para Educação Física, depósito externo
para diversos, cancha coberta, quadra poliesportiva.
A
educação infantil funciona numa área restrita e separada do ensino fundamental
e médio, possuindo em seu aglomerado, cozinha, brinquedoteca, salas de aula
equipadas e adequadas a cada faixa etária, lactário, cozinha, refeitório,
banheiro para professores, banheiro para alunos especialmente adaptados, área
externa equipada com brinquedos.
As salas são espaçosas, equipadas cada uma com
um armário decorado, porta materiais ao alcance das crianças, um equipamento de
DVD, uma televisão de 21’ e um ventilador de teto, possuem colchonetes para uso
dos alunos. As carteiras são coloridas com quatro cadeiras cada mesa, cada sala
possui o cantinho da leitura e dos brinquedos, no berçário encontram-se berços
bem dispostos e coloridos alegrando o ambiente, móbiles e enfeites por todas as
paredes.
O material pedagógico é suficiente para
atender as necessidades da escola, a alimentação é complementada por merendeiras
e ricas em nutrientes contando com uma dieta balanceada fiscalizada por uma
nutricionista.
O espaço
de funcionamento da educação infantil ainda conta com um refeitório equipado
com mesas adaptadas para uso infantil, uma sala de refeição para uso dos
funcionários, dois pátios pequenos para entrada e saída, um parquinho com
brinquedos de uso infantil, uma pequena lavanderia somente com tanques
acoplados, dois balneários em abertos para uso das crianças em seus banhos matinais
(sendo que um ainda está em construção).
Pode-se
dizer que a escola é bem equipada e atende as necessidades básicas das
crianças, propiciando conforto e uma moradia enquanto ali permanecem.
9.
OBSERVAÇÃO PARTICIPATIVA - 21 de fevereiro de 2013
Na data
de 21 de fevereiro de 2013 inicia-se a observação participativa que segundo Coutinho
(2002) é o procedimento metodológico mais apropriado para desenvolver uma
investigação na convivência com crianças, pois para conhecê-las é preciso
observá-las e estando junto a elas e impossível não participar.
As
crianças atendidas na escola são bastante carentes, entretanto possuem bastante
estímulo, força de vontade e apoio das entidades financiadoras.
Quanto ao público infantil atendido, em
matéria de comportamento, percebe-se que em sala de aula pouco difere das minhas
experiências em outras comunidades com mais estrutura social e recursos, vai
além a muitos conceitos e cuidados.
As
educadoras e o Pedagogo enaltecem em muito o amparo da Prefeitura Municipal e
de seus governantes, assim como enaltecem a iniciativa privada que sempre ajuda
de alguma forma a entidade, o que reflete no processo de qualidade estrutural e
na escolarização infantil da David Carneiro.
O estágio
foi feito em sala de aula e também em outros espaços, como acompanhamento das
atividades no pátio, no refeitório e na brinquedoteca.
Nesta
data pude observar as salas do berçário, maternal I e maternal II. Sendo que os
perfis das professoras divergem no trato com as crianças, mas entende-se que
cada educador tem suas particularidades para o desempenho das funções como
docente.
9.1.1. OBSERVAÇÃO PARTICIPATIVA – TURMA BABY COLYNHO
E BABY PEZYNHO
O
atendimento dos bebês é feito em período integral, garantindo desta forma a
utilização dos berços.
A partir
dos três meses a instituição recebe os bebês e as mães para uma adaptação
tranquila, se focando desta forma na integralização entre a equipe da
instituição, criança e família.
Nesta
fase o bebê vai se desenvolver de acordo com seu ritmo respeitando todas as
suas particularidades, seu período de sono e suas necessidades. Para que isso
ocorra às vagas são restritas e existe uma equipe capacitada para o atendimento
do berçário. A escola conta com o que há de melhor em questão de estímulo,
puericultura e todos os cuidados que uma mãe deseja ao seu filho.
Realmente
as salas para atendimento aos bebês são fantásticas, tanto na decoração quanto
na distribuição de materiais de incentivo e organização, é nítido o preparo das
professoras e atendentes, não deixando a desejar a qualquer escola de alto
padrão.
Fisioterapeutas
(estagiárias) de universidades públicas e privadas desempenham projetos,
preparando novos desafios, avaliando e acompanhando o desenvolvimento de cada
bebê. Todas as atividades de desenvolvimento são avaliadas e orientadas por uma
equipe multidisciplinar.
Os nomes
Baby Colynho e Baby Pezynho é designação da própria instituição para designar
os bebês de colo e os bebês que já ficam em pé e começam a andar. O ambiente
para cada etapa é pensado com carinho, desde a parte arquitetônica até a parte
de incentivo.
A
alimentação dos bebês é elaborada semanalmente pela nutricionista Cassiana.
Evoluindo da pastosa a mais sólida.
Além da
formação em Pedagogia as professoras possuem também o curso de berçaristas e
primeiros socorros.
Dentre as
atividades desenvolvidas constam a musicalização e expressão corporal. Para a
acomodação dos bebês a instituição possui sala de repouso, solário, sala de
atividade, lactário, são espaços pequenos, mas que proporcionam conforto e
êxito no trabalho de desenvolvimento.
Segundo
Rapoport (2008), a ação pedagógica das educadoras pode ser considerada como um dos
fatores mais relevantes em termos de adaptação dos bebês à creche e os cuidados
depende da habilidade das professoras em prestar atenção em cada um e levar em
conta as relações individuais que os bebês estabelecem.
Sendo o
espaço físico fundamental para o desenvolvimento das crianças, assim como o
espaço social, na medida em que ajuda a estruturar as funções motoras,
sensoriais, simbólicas, lúdicas e relacionais. Cabe às educadoras ter a
sensibilidade de não interferir em momentos mágicos da criança como espaço de
investigação e construção de conhecimentos sobre diferentes aspectos dos
contextos social e cultural da realidade que elas estão buscando conhecer.
Dessa
maneira promove-se e assegura-se o bem estar, o crescimento e o desenvolvimento
da criança atendendo ás suas necessidades e aos seus interesses respeitando a
leitura em que estão inseridas além de ampliar permanentemente as fronteiras de
seu universo. De acordo com Motta (2005, p.130).
“[...] a situação ideal de
aprendizagem é aquela em que a atividade é tão significativa que aquele que
aprende não a considera como um trabalho, e é necessário também que a educadora
veja a criança no seu processo de construção de conhecimento”. (apud CONSTANCE KAMII e RHETA DREVIES,
2002).
O aprendizado deve estar ligado ao ato afetivo,
deve ser gostoso, prazeroso para a criança aprender, para isso ela precisa ter
oportunidade de desenvolvimento para ganhar espaço na sociedade.
9.1.2.
OBSERVAÇÃO PARTICIPATIVA - MATERNAL I – TURMA VISCONDE DE SABUGOZA E MATERNAL
II TURMA PEDRINHO
Na sala do Maternal I encontram-se crianças de um
ano e quatro meses a dois anos, transição de um bebê dependente para uma
criança com maior autonomia. Nesta fase tais sujeitos necessitam de outro
enfoque que não seja o berçário. Atividades de aperfeiçoamento da motricidade,
da linguagem, socialização necessitam ser trabalhadas.
As crianças observadas neste contexto possuem maior
maturidade motora, que lhes permite explorar objetos e tudo o mais que existir
ao seu redor.
As professoras se utilizam de jogos simbólicos do
faz de conta, como método de acelerar o desenvolvimento da linguagem e da representação.
As crianças andam e se movimentam livremente, são capazes de extraordinárias
observações. Nessa fase, a criança ainda tem dificuldade em repartir seus
brinquedos, daí se deve o trabalho de socialização, com a tendência de
ajudar-lhes a sair do egocentrismo.
A sala é adaptada e ampla, sendo visíveis três
espaços distintos: um com sofás, outro com almofadas coloridas e outro que diz
respeito ao “faz de conta”. No espaço dos sofás, a educadora desenvolve
atividades de vocabulário, por exemplo, quando falam sobre o fim de semana,
desenvolve atividade de Estimulação à Leitura, jogos, entre outras. No espaço
das almofadas, as crianças realizam as diversas atividades nas áreas de
aprendizagem e na área de Conhecimento do Mundo. No espaço do “faz de conta”
existe uma cozinha de brincar, uma caixa com livros e outra com alguns
brinquedos.
Na sala existem armários, nos quais são guardados
os materiais das crianças. Existe um módulo de arquivos, um para cada criança,
onde são guardados os trabalhos.
Na hora do soninho, são colocados colchonetes para
as crianças se deitarem. Os brinquedos são divididos e de fácil acesso a todas.
Existem livros ilustrados ao alcance das crianças para manuseio e integração.
No Maternal II são enturmadas as crianças que estão
em franca expansão do ponto de vista físico, emocional e cognitivo. Usufruindo
das conquistas realizadas, essas crianças encontram-se necessitadas de novos e
mais complexos desafios.
É preciso estar atento a suas falas, a seus gestos,
a suas escolhas e atitudes e a produções diversas, para que se possa
identificar desejos, necessidades e desafios que estejam demandando. Ela está
ficando mais sociável e esporadicamente consegue ser cooperativa no grupo de
convívio. Sua oralidade está se desenvolvendo bastante e ela se interessa cada
vez mais pelas histórias contadas e/ou representadas, interagindo, literalmente
“fisicamente e oralmente” com o conhecimento.
Aqui ocorre o desenvolvimento das crianças nos
momentos de rotina: sono, higiene e alimentação. É a hora de encorajá-las a
fazer escolhas de alimentos, roupas e brinquedos, a ir sozinhas ao banheiro, a
comer sozinhas, a arrumar seus pertences etc.
Para que as crianças tenham boa aprendizagem, há
que se ter em atenção os horários estabelecidos com rigor. Assim, são criadas
rotinas de modo a que as crianças interiorizem e se apercebam do seu dia-a-dia,
e que existe tempo para tudo, no momento certo.
As rotinas servem também para a criança se
aperceber que vai passar por algumas atividades durante o dia e assim que
interiorizar as rotinas, sabe automaticamente o que tem que fazer, sem que
ninguém lhe diga nada. Zabalza (1998) diz que a rotina desempenha um papel
importante, pois estrutura e possibilita o domínio do processo a ser seguido e
o quotidiano passa a ser previsível, dando autonomia e segurança à criança
(p.52).
De acordo com Cordeiro (2010), “é essencial criar
rotinas, porque o próprio elemento repetitivo é inerente à securização”
(p.286).
No Maternal II, as rotinas são as seguintes:
Acolhimento, higiene, acolhimento em sala de aula, refeições, hora da
brincadeira, soninho, lanche, realização de atividades.
A sala do maternal II também é bastante colorida e
adaptada nesta etapa às crianças passam a ser acomodadas em mesas e cadeiras
coloridas, sem serem subdivididas e sim numa fila única. Existem colchonetes
coloridos para a hora do sonhinho e a higiene e altamente estimulada, bem como
a independência.
As crianças nesta fase são estimuladas a guardarem
seus pertences nas mochilas, a organizarem os brinquedos e passam a ter
atividades com brinquedos lúdicos, que visam desenvolver seu potencial de
amarrar o tênis, pentear o cabelo, etc.
A professora Márcia possui o livro das Aquisições
que distribui para as crianças, este livro é composto de várias atividades como
abotoar e desabotoar, fechar um zíper, etc. é muito interessante.
O nome das turmas se deve ao projeto Monteiro
Lobato instituído pela Prefeitura como incentivo a leitura.
A construção da identidade e da autonomia é para a
criança o grande salto para a independência, sendo a autonomia definida como a
capacidade de se conduzir e tomar decisões por si própria, levando em conta
regras, valores, a sua perspectiva pessoal, bem como a do outro. Conceber uma
educação em direção à autonomia significa considerar as crianças como seres com
vontade própria, capazes e competentes para construir conhecimentos e, dentro
de suas possibilidades, interferir no meio em que vivem. Exercitando o
autogoverno em questões situadas no plano das ações concretas, poderão gradualmente
fazê-lo no plano das ideias e dos valores.
Realmente tanto o berçário, quanto as salas do
maternal são de encantar qualquer docente e foi desta forma que sai da
instituição neste dia apaixonada em ver que uma escola, mesmo situada na
periferia de um município se preocupa com a formação do sujeito por completo.
9.1.3.
OBSERVAÇÃO PARTICIPATIVA - PRÉ II – TURMA RABICÓ - 22 de fevereiro de
2013
Hoje foi
o meu primeiro dia de estágio no Pré II. Houve uma apresentação não só da minha
parte, como também por parte das crianças e da professora.
Finalmente
era chegada a hora de realizar a observação na turma que iria realizar minhas
intervenções.
E foi
assim que na sexta feira, 22 de fevereiro, no turno da tarde, fui para a sala
do Pré II, tendo esta como professora regente Vera e uma estagiária da FAPAR,
Maria Carolina. A sala conta atualmente com 28 alunos sendo 16 alunos em
período integral.
Desde os
primeiros contatos com as crianças elas se aproximavam, faziam perguntas,
mexiam em meu cabelo, falavam de suas atividades. Portanto não seria possível somente
observar, mas sim participar desse cotidiano tão acolhedor. Essas situações me
aproximavam de um dos primeiros objetivos que era conhecê-las.
Procurei
dentro desse limite refinar meu olhar para conhecer um pouco das crianças: Allan,
Douglas, Guilherme, João Guilherme, Kevin, Lucas, Gustavo, Jonathan, Maria
Eduarda, Amanda, Jennifer, Júlia, Liandra, Raquel, Sthefani, Thalita, Thaluana,
Thauane, Ramon, Maria Luiza, Eder, Alex, Regina, Silvia, Jonh, Grace Kelly,
Rayan e Patrícia, eram os discentes do Pré II.
Fazia
registros para que informações não se perdessem, a fala das crianças, a
dinâmica da professora, os conteúdos eram anotados para uma elaboração
posterior das atividades de trabalho.
Tais
registros contribuiriam para conhecer melhor as crianças. Para Gandini e
Goldhaber (2002), através da observação e da escuta atenta e cuidadosa às
crianças, pode-se encontrar uma forma de realmente enxergá-las e conhecê-las.
Ao fazê-lo tornamo-nos capazes de respeitá-las pelo que elas são e pelo que
elas querem dizer. Os registros do que vemos e ouvimos são elementos
fundamentais para a futura aplicação do plano docente com eficácia.
A professora conduz a aula com organização e
promove atividades que favorecem o aprendizado, busca formas diferenciadas de
ensinar os educandos, promovendo o lúdico e tornando prazeroso o ingresso
diário à escola.
Nesta
etapa, a professora iniciou a leitura do livro Cabra Cabresta. Após a mesma,
visitamos a feira do livro que decorria no ginásio da escola.
Nesta
data todas as crianças se encontravam presentes e a professora de simpatia
ímpar logo pediu que me juntasse ao grupo e participasse de todas as atividades,
fazendo com que me interasse não só dos conteúdos, mas também da rotina da
turma.
Na volta
da visita à Feira do Livro, a professora introduz uma dinâmica, fazendo com que
cada criança escolha uma música a ser cantada, a aceitação da turma é grande e
todos participam.
Com
referência a atividade de musicalização é de suma importância, pois permite que
a criança conheça melhor a si mesma, desenvolva sua autocrítica, seu senso de
ouvinte e participante, desenvolvendo o esquema corporal, e também permitindo a
comunicação com o outro.
Tais
atividades contribuem para reforçar o desenvolvimento cognitivo, linguístico,
psicomotor e sócio afetivo.
As
atividades musicais coletivas favorecem o desenvolvimento da socialização,
estimulando a compreensão, a participação e a cooperação. Dessa forma a criança
vai desenvolvendo o conceito de grupo. Além disso, ao expressar-se musicalmente
ela demonstra seus sentimentos, libera suas emoções, desenvolvendo um
sentimento de segurança e auto-realização. Desta forma fica mais fácil
compreender o universo da criança, seus desejos, suas aflições, seus limites e
ansiedades.
Na
sequência foi trabalhado noções de quantidade, sempre com as crianças sentadas
em roda, atividade esta na qual as crianças jogavam um dado e pegavam a
quantidade de tampinhas que haviam sorteado.
O
importante de tal atividade esta no fato do professor perceber a dificuldade e
o reconhecimento dos números, não se preocupando com o registro no papel e sim
estimulando a oralidade e a participação de cada elemento. Tal situação
permitiu as crianças criarem, explorarem, inventarem seu próprio modo de
expressão e de relação com o mundo muitas vezes trazendo para o contexto
situações oriundas de seu dia a dia, de sua vida cotidiana, criando motivação
para que conceitos matemáticos fossem descobertos. A professora estava sempre
presente os estimulando a estarem atentos às descobertas e desafios.
Na
sequência as crianças fizeram desenhos livres nos quais puderam expressar o seu
eu, sua criatividade e soltar a imaginação. A professora sempre atenta
acompanhava cada detalhe e registrava, tal processo era uma maneira de
reconhecimento e estratégia de aprendizagem.
Presenciei
também a brincadeira passarei-passará, no qual as crianças interagiam e
trabalhavam em grupo sempre com a participação da professora e da estagiária e
neste caso em especial com a minha participação e interação ao grupo.
Um dos
teóricos da corrente histórico-cultural em Psicologia, Vygotsky (1984), vê as
brincadeiras como espaço de interação social e de construção de conhecimentos
pelas crianças. Concebidas como produto do processo de desenvolvimento. As
brincadeiras estão enraizadas nas ligações entre a história individual e
social, e não são meras descobertas das crianças. Na brincadeira a criança produz uma cultura infantil que é um
produto coletivo próprio do seu grupo.
Na brincadeira
a criança transforma e amplia os conhecimentos previamente adquiridos. No
entanto, a forma como ela amplia esse conhecimento é muito diversificada, pois
depende de experiências e possibilidades. Brincando ela pode interagir segundo
padrões não determinados pela realidade social em que vive e ultrapassar os
limites colocados para a sua atividade.
A
brincadeira é, sem dúvida, uma das principais atividades da infância.
Pude
observar que a sala tem esse caráter lúdico/pedagógico em sua arquitetura e disponibilidade
dos móveis, bem como a professora tem essa característica de ensinar brincando
e interagindo sempre com as crianças, que a toda hora são instigadas a
expressarem sua opinião.
Na hora
do lanche fazem uma oração e cantam uma música.
Todos os
dias a professora tem dois ajudantes escolhidos pela mesma, um de cada sexo.
Nas
paredes da sala estão expostas as produções de desenhos realizados pelos
alunos, painel de aniversariantes e de presença com figuras de meninos e
meninas, feitos em EVA, com os nomes de cada aluno, eles contam quantos meninos
e meninas estão presentes e quantos faltaram. Também existe um alfabeto
colorido, figuras geométricas, normas de como devem se comportar na sala e na
escola, e os números de 1 a 10, eles fazem a leitura diariamente.
A
professora me deu total liberdade, me recebeu de forma amigável e solidária
tentando me repassar os elementos fundamentais da turma e seu conhecimento.
Sai da
turma realmente apaixonada e empolgada para estar frente aos trabalhos
dirigindo aqueles pequenos seres em fase de formação.
9.1. 4. OBSERVAÇÃO PARTICIPATIVA - 25 de fevereiro de
2013
Mais um
encontro com a turma Rabicó, nome escolhido pelos alunos como parte de um
projeto estruturado pela Secretária Municipal de Educação que a cada início de
ano letivo estipula a prioridade de se trabalhar algum eixo, seja na área das
línguas exatas, geográficas, etc.
Novamente
todos os alunos estavam presentes e logo vieram me receber com alegria e cada
um queria contar as suas novidades ou mostrar algo que haviam feito, meus
bolsos se enchiam de bilhetes e até flor ganhei foi muito compensador.
Tanto o estágio,
quanto a observação participativa se caracterizam como um espaço de aproximação
das crianças com o futuro profissional, o reconhecimento de realidades
distintas pressupõe na construção de um olhar, entendendo a creche e a
pré-escola como um espaço de produção de pesquisa e conhecimento dos universos
infantis.
Machado (1996) salienta que para se criar a
possibilidade de interagir, de trocar experiências e de partilhar significados
que possibilitem as crianças o acesso a novos conhecimentos é necessário o
contato com o novo. Ressaltando ainda, a
necessidade do adulto inserir-se nas brincadeiras das crianças e encará-las
como atividades pedagógicas.
Neste dia
de observação pude acompanhar a aula de Educação Física, ministrada por um
aluno do 6º período da Faculdade Dom Bosco, que por sinal conhecia muito bem,
devido ao fato de ter atuado como aluna dos mesmos na fase de Formação Docente.
Participei
ativamente da aula, mesmo durante o período de observação, até porque meu hobby
predileto são as atividades esportivas. Pude observar que mesmo com pouco tempo
na escola o professor já era muito querido pelos alunos.
As aulas de Educação Física na Escola David
Carneiro, na fase de Educação Infantil são propostas como um tempo para os
alunos brincarem, socializarem e também incentivar a prática esportiva. São
oferecidos materiais como bola e corda, onde o estagiário tem a criatividade de
fazer com que todos os alunos participem.
Quanto ao
relacionamento entre os alunos não vi divergências onde o professor estagiário
tivesse que ser mais enérgico, percebi um quadro muito grande de carência
afetiva das crianças, e o professor acaba tendo que suprir de alguma forma este
espaço, é sempre abraçado, vi que todos os alunos lhes tem admiração.
O
professor utiliza uma abordagem construtivista, juntamente com a
psicomotricidade, baseando-se nos RCNEI’s, dando ênfase ao desenvolvimento
cognitivo, afetivo e motor de cada criança respeitando sua individualidade.
O
estagiário me falou sobre a importância deste trabalho realizado na
instituição, principalmente com a questão de brincadeiras e jogos que envolvam
correr, subir, descer, escorregar, rolar para ampliar gradualmente o
conhecimento e controle sobre o corpo e movimento. Recursos de deslocamento e
de habilidades de força, velocidade, resistência e flexibilidade nos jogos e
brincadeiras, também são aplicados. Recursos esses que possibilitam o
reconhecimento de limites e a socialização das crianças.
Segundo Freire: “Entre os recursos pedagógicos
que a Educação utiliza em sua tarefa de ensinar, há um muito particular, que
são as atividades corporais provenientes da cultura da criança”.
A
experiência de estar ali como observadora, era diversificada, pois hoje poderia
analisar contextos, adequar conhecimentos fundamentais na vida acadêmica de
Pedagogia.
Todos os
artigos lidos, seminários presenciados, aulas de Metodologia de Educação Física
e Corpo e Movimento que realizei ao longo da formação, me trouxeram embasamento
teórico para um discernimento melhor na aplicação da metodologia desenvolvida
durante as aulas, aprimorando meu desenvolvimento acadêmico.
Após as
atividades os alunos fazem o lanche e é incrível o olhar de satisfação de cada
um.
Vivendo a realidade desta escola, pude
perceber que o professor, seja ele regente ou estagiário, tem uma grande
contribuição na vida pessoal dos alunos.
Na
dinâmica de sala de aula hoje as crianças tiveram contato com noções de espaço
e tempo, questões anteverás trabalhadas pelo estagiário na aula de Educação
Física, ali notei que se torna imprescindível o planejamento de aula prévio
para um controle melhor nas práticas ministradas.
Concluí
que propiciar ao aluno momentos e condições para sua formação pessoal, psíquica,
emocional e física, visando o melhor aprendizado é fundamental a
interdisciplinaridade.
Mas uma etapa vencida e novos olhares se
perfazem.
9.1.5. OBSERVAÇÃO PARTICIPATIVA – 26 DE FEVEREIRO
DE 2013
Nesta data
a professora iniciou a aula de domínio da Matemática com o 1.º Dom de Froebel.
Este material manipulável é constituído por seis esferas, de cores diferentes.
A educadora realizou com as crianças diversos jogos, de modo a treinarem a
lateralidade: à esquerda e a direita, os conceitos dentro e fora, frente e trás,
em cima e em baixo, bem como a contagem.
Em seguida,
a educadora dinamizou o jogo Quim Visual, um jogo de memória, em que as bolas
estavam numa determinada posição em relação à caixa, as crianças tapavam os
olhos, a educadora fazia uma alteração e a criança, a quem a educadora
perguntava, tinha que descobrir qual a alteração efetuada.
As
atividades lúdicas possibilitam o desenvolvimento integral da criança, já que é
através destas atividades que as mesmas se desenvolvem afetivamente e convivem
em sociedade.
Brincar é
tido como uma necessidade básica assim como a nutrição, a saúde, a habitação e
a educação, ajuda a criança no seu desenvolvimento físico, afetivo, intelectual
e social, pois através de tais atividades de caráter lúdico, a criança forma
conceitos, relaciona ideias, estabelece relações lógicas, desenvolve a
expressão oral e corporal, reforça habilidades sociais, reduz a agressividade,
integrasse na sociedade e constrói seu próprio conhecimento.
Hoje foi
apresentado as crianças a História Reinações de Narizinho, através da leitura e
do livro a docente fez diversas perguntas as crianças. O desenvolvimento verbal
é de extrema importância para as crianças, enriquecendo também o seu
vocabulário.
De acordo
com Curto ET al. (2000a), as crianças fazem diferenciação entre “os desenhos
por um lado, e outros signos, como letras, números, grafias diversas, etc.” por
outro (p.27). Segundo os mesmos autores (2000b), e uma vez que as crianças ainda
não conseguem ler, o professor deverá fazê-lo com eles (p.91).
Após o
intervalo as crianças foram para aula de Artes, na qual trabalharam com massa
de modelar e pintura e posteriormente desenvolveram jogos de faz de conta.
O faz de
conta permite a situação imaginária e a expressão de regras implícitas que se
materializam nos temas das brincadeiras. O conteúdo do imaginário provém de
experiências anteriores adquiridas pelas crianças em diferentes contextos.
Ao
brincar de faz de conta a criança está aprendendo a criar significados, essa é
a importância dessa modalidade de brincadeira.
Fim de
mais um dia, e saia cada vez mais apaixonada da instituição, encantada com tudo
o que via. Mesmo já tendo presenciado dinâmicas em outras instituições, tudo o
que via ali me impressionava, fazia meus olhos brilharem, tamanha a emoção e
dedicação dos profissionais.
9.1.6. OBSERVAÇÃO PARTICIPATIVA – 27 DE FEVEREIRO
DE 2013
Na tarde
do dia 27 de fevereiro, a professora iniciou a aula trabalhando conteúdos matemáticos,
com a utilização de materiais estruturados, o objetivo da atividade era
trabalhar sequenciação. O material era constituído por diversas imagens de
formas, cores e tamanhos diferentes. A
professora solicitou a diversas crianças sequências de imagens, ou seja, ela montou
uma sequência crescente de dados amarelos e logo posteriormente colocava outras
imagens e perguntava a uma criança qual a imagem que viria a seguir. A criança
respondia e a mestra perguntava-lhe o porquê da imagem escolhida, desenvolvendo
assim o vocabulário, a observação, o reconhecimento e a forma como a criança se
explica.
Após o
intervalo, as crianças foram para a Biblioteca e para a aula de Informática. A
turma divide-se em dois grupos, para serem menos crianças em cada espaço e
melhor tirarem partido desse momento. Neste dia estive apenas na Biblioteca,
onde li o livro A Bruxinha que era boa, de Maria Clara Machado, com o propósito
de fazer com que as crianças percebessem que não deveríamos julgar o livro pela
capa. À medida que ia fazendo a leitura, pedi a colaboração das crianças, pois se
trata de um livro em que elas podem interagir bastante. Através da leitura, fiz
com que as crianças desenvolvessem a memorização das personagens na ordem
devida. Tal proposta foi amplamente apoiada e incentivada pela professora
regente, que acompanhou meu desempenho e elogiou a iniciativa, tal qual a
caracterização e a interação com as crianças.
O uso dos
materiais lúdicos é fundamental, para a aprendizagem da matemática, bem como em
qualquer outra área, as crianças são normalmente dependentes do ambiente e dos
materiais à sua disposição. Neles, a criança deverá encontrar resposta à sua necessidade
de exploração, experimentação e manipulação. Sendo possível trabalhar diversas
disciplinas dentro de um contexto.
Com referência a leitura é fato que o gosto e
o interesse pelo livro e pela palavra escrita iniciam-se na educação
pré-escolar. Ao lermos histórias para as crianças, despertamos sensações,
aumentamos o vocabulário, exploramos imagens, e, por conseguinte, criamos nas
mesmas o desejo de aprender a ler, para conseguirem decifrar as palavras, que
muitas vezes eles próprios inventam ou através das imagens ou do conhecimento
prévio da história. Segundo Sequeira (2000), “o importante é que levemos o
livro à criança e ajudemos a estabelecer uma conduta de comunicação com este
precioso meio de comunicação” (p.67),
Nas aulas
de Informática, as crianças são estimuladas a interação com os computadores,
sendo que a tecnologia é o futuro e hoje em dia, cada vez mais cedo existe a
necessidade das crianças aprenderem a utilizar um os meios de comunicação de
maneira coerente e reflexiva, pois acaba por ser uma necessidade da nossa
sociedade.
Mais uma
etapa vencida e a interação com as crianças e com a regente se tornava mais saliente,
a professora me dava dicas e era totalmente aberta a troca de conhecimento,
posso salientar que a satisfação somente crescia.
9.1.7. OBSERVAÇÃO PARTICIPATIVA – 28 DE FEVEREIRO
DE 2013
Na
presente data as crianças tiveram a apresentação de um teatro, elaborado pelas
alunas do 4º ano de Formação de Docentes de uma instituição de Araucária, fato
que me remeteu as belas lembranças do teatro Educadores Verdes e fez a saudade
bater forte.
Quando
nos deslocávamos para a sala, deparamo-nos com uns senhores dentro da mesma.
Estes estavam a instalar a tela para a projeção de audiovisuais. Como ainda ia
demorar alguns minutos, a professora fez com as crianças o jogo do morto vivo,
da estátua e do bambolê. Assim que entramos na sala, a professora questionou as
crianças sobre o que fariam no fim de semana que se aproximava. Estes momentos
desenvolvem o vocabulário e a linguagem. Após esta partilha, a professora fez a
leitura de uma história.
As
crianças no dia de hoje tiveram aula de Música.
Depois do
lanche foi introduzindo o conceito de figura geométrica com a apresentação do
senhor quadrado. O senhor quadrado era um quadrado, com olhos, boca, braços e
pernas. Através da apresentação do quadrado, introduziu os Blocos Lógicos.
Solicitou a algumas crianças para que retirassem do conjunto de peças uma
figura idêntica ao senhor quadrado.
A Música
como citado anteriormente tem um papel importante na aprendizagem das crianças.
De acordo com as Orientações Curriculares para a Educação Pré-Escolar (1997), a
Música desenvolve-se em torno de cinco eixos fundamentais: escutar, cantar,
dançar, tocar e criar (p.63-65).
O
investigador Kalmer (referido por Jensen, 2002), ”descobriu que a música estabelece
muitas correlações positivas com a escola” (p.64).
Os
conceitos matemáticos são de extrema importância para o desenvolvimento do
pensamento das crianças e vão sendo construídos com as suas vivências, de forma
mais ou menos consciente. Segundo Barros e Palhares (1997), a “matemática é reconhecidamente
decisiva para a estruturação do pensamento humano e a plena integração na vida
social” (p.9).
Como
afirma Negrine (citado por Caldeira, 2009) as atividades lúdicas permitem a
“formação do autoconceito positivo, desenvolvendo integralmente a criança, pois
é através delas que a criança se desenvolve afetivamente, convive socialmente e
opera mentalmente.” (p.44).
Os Blocos
Lógicos são um material estruturado, sendo constituído por diversas peças, com
atributos diferentes. De acordo com Saraiva (2003), “são constituídos por 48
peças, que se distribuem em quatro figuras geométricas: círculo, quadrado,
retângulo e triângulo. Estas peças possuem dois tamanhos e em cada um deles: 2
espessuras (fino e grosso) e 3 cores (vermelho, azul e amarelo)” (p.148). É o
caminhar para a compreensão das ciências exatas.
Mais um
dia se findava, cheio de inovações e descobertas, os bolsos cheios de
recadinhos e a minha participação perante a turma era constante, a professora
de uma atenção ímpar sempre me informando questões e relatando fatos, tais
elementos me faziam sentir-me a vontade e tranquila.
9.1.8. OBSERVAÇÃO PARTICIPATIVA – 01 DE MARÇO DE
2013
Sexta-
feira, o cansaço era visível e o frio na barriga também, pois sabia que na
segunda seria eu a estar frente à turma, já tinha feito outras regências
inclusive em níveis mais adiantados, mas como diz o velho ditado se não
aparecer o medo não vale a pena prosseguir, pois a paixão havia se extinguido.
Neste dia
a professora introduziu o sentido da visão, através de uma apresentação em
PowerPoint, (coincidência, pois o tema que trabalharia com eles no segundo dia
de regência seria este) no qual explicou qual o órgão da visão, a sua
importância, as diferentes cores dos olhos e mencionou que algumas pessoas
necessitam de óculos para verem bem. A professora fez uma abordagem breve sobre
os recursos utilizados pelos sujeitos desprovidos de tal sentido, visto que as
crianças se referiam a tal circunstância e traziam exemplos de sua própria
vivência. As crianças deram o exemplo do cão guia e da bengala, como auxílio
para os mesmos.
Após o lanche,
a professora fez o jogo do dominó, em que as peças tinham imagens de sapatos com
cores diferentes. Uma forma lúdica de aprender as cores.
A visão é
um dos nossos cinco sentidos, e, é necessário que as crianças tenham esse
conhecimento.
Segundo
Hohmann e Post (2003), as “educadoras e auxiliares que baseiam os seus
programas nos princípios da aprendizagem ativa compreendem e apoiam a abordagem
sensorial e corporal que as crianças pequenas têm da aprendizagem” (p.27).
De acordo
com Papalia, Olds e Feldman (2001), “a visão é o sentido menos desenvolvido na
altura do nascimento” e acrescentam que “nos primeiros meses de vida
verifica-se um rápido desenvolvimento da capacidade do bebê de seguir um alvo
em movimento, assim como da percepção à cor” (p.169).
Para a
criança, o jogo é a coisa mais importante da vida, e, de acordo com Guy (1963)
existem dois tipos de jogo: o livre e o dirigido (p.7).
O
interesse do jogo, por parte dos alunos, é uma força que comanda o processo de
aprendizagem. As suas experiências e descobertas, e o próprio professor, é um
gerador de situações estimuladoras e eficazes.
Antunes
(1998) refere que “o jogo ganha um espaço como ferramenta ideal a aprendizagem,
na medida em que propõe estímulo ao interesse do aluno” (p.36).
A semana
se findava, a professora nas horas finais sentou-se comigo reviu meu
planejamento e deu seu parecer final, desejou-me sucesso e me disse que estaria
ali para o que eu precisasse. Fez-me um questionamento se eu me importava que o
Pedagogo também assistisse a minha atuação, se tal fator me incomodaria,
disse-lhe que não, mas o coração certamente bateu mais forte, visto que além do
meu nome carregava o nome de uma instituição, mas sabia que era capaz e resolvi
enfrentar este desafio.
10. REGÊNCIA EM EDUCAÇÃO INFANTIL – 04 DE MARÇO DE
2013
O estágio
supervisionado por ser considerado o marco inicial de inserção do profissional
no seu futuro ambiente de trabalho é de extrema relevância para a construção da
identidade do mesmo. Por isso, é importante que esse momento seja construtivo e
satisfatório a fim de permear suas futuras práticas pedagógicas.
No que
concerne às observações realizadas durante o estágio foi possível perceber que
a escola busca desenvolver práticas pedagógicas que venham a atender as
necessidades das crianças, permeadas entre o cuidar, o brincar e o educar. Isso
porque a instituição conta com uma estrutura física, organizacional e
pedagógica adequada para desenvolver um trabalho sócio-educativo e cultural
pautado nas necessidades, peculiaridades e aspirações da comunidade onde a
mesma se encontra.
Mesmo
diante dos desafios, das descobertas e da paixão aflorada diante do
conhecimento da realidade foi durante a regência, que o estágio contribuiu
positivamente para a minha formação. Desse modo, é notório explanar que os
desafios sempre existirão tendo em vista a complexidade inerente ao ato de
ensinar e aprender. Portanto, é possível afirmar que o estágio supervisionado
na Educação Infantil é gratificante uma vez que a partir desse momento percebem-se
as inúmeras manifestações inerentes a esse lócus, tais como, as peculiaridades
do alunado, as relações estabelecidas entre os sujeitos, às práticas
pedagógicas desenvolvidas e o processo de ser e tornar-se professor.
Diante de
tais perspectivas chegava a hora de descrever a primeira regência realizada na
Escola Municipal David Carneiro.
O dia de
hoje foi diferente para as crianças, uma vez que as aulas foram dadas por mim.
Comecei
cedo a movimentação e arrumação do espaço para a realização da Corrida Maluca,
contando com o auxílio de algumas professoras e também do Pedagogo, que se
mostrava interessado e atento às propostas por mim hora apresentadas.
O espaço utilizado foi à quadra externa
coberta, por ser um espaço amplo e equipado para tais práticas. O intuito da
Corrida Maluca era abordar conteúdos matemáticos, tudo feito de maneira lúdica
e divertida, pois através das atividades lúdicas é possível formar o
autoconceito e o reconhecimento de regras, bem como propiciar a socialização
com o meio e a interação com o grupo.
As
atividades lúdicas possibilitam o desenvolvimento integral da criança já que é
através destas que o sujeito desenvolve-se afetivamente, aprende a conviver
socialmente e a respeitar regras.
Brincando
a criança aprende, compara, amplia seu horizonte, analisa, nomeia,
mede,associa,calcula,classifica, compõe, conceitua e cria novas percepções de
conteúdos, do eu e do mundo. O brinquedo e a brincadeira traduzem o mundo para
a realidade infantil, facilitando o aprendizado.
Por volta
das 13horas entrei em sala, às crianças encontravam-se sentadas em roda e foi
desta forma que iniciei meu primeiro dia frente à turma Rabicó. Apresentei-me
novamente, visto que tal fato fora dispensável, pois todos sabiam meu nome, era
hora de explicar-lhes o que viera a fazer ali e o porquê estava acompanhando o
trabalho deles durante todos aqueles dias, as crianças se mostravam
interessadas e curiosas, havia uma menina que seu desejo era ser Pedagoga e ela
era a mais animada e questionadora, queria saber tudo, de maneira geral a
aceitação da turma foi ótima. Minha opção foi distribuir crachás, pois fiquei
com medo que na hora do nervoso esquecesse o nome de alguma criança, salientei
que daquele momento em diante elas seriam marujos e eu um capitão, e por tal
motivo coloquei um chapéu que lembrava um capitão pirata, o encantamento das
crianças era visível, elas permaneciam estáticas esperando as próximas ordens,
o nervoso começava a passar.
Cantei
com eles a música Cinco Patinhos, fazendo gestos e possibilitando a expressão
de cada um, todos conheciam a música então foi fácil trabalhar. Logo em seguida
organizei as crianças em fila e nos dirigimos para o pátio externo, no qual
seriam realizadas as provas da Corrida maluca, até então nenhum per clave havia
ocorrido.
A turma
era só atenção, bem como a professora e o Pedagogo que acompanhavam tudo de
perto.
Com as
brincadeiras e jogos o espaço escolar pode-se transformar em um espaço
agradável, prazeroso, de forma a permitir que se alcance sucesso na aula.
Acredita-se que nós educadores temos que ser multifuncionais, ou seja, não
sermos somente educadores, mas sociólogos, filósofos, psicólogos,
recreacionistas e muito mais, para que possamos desenvolver as atividades,
incentivar habilidades e produzir a confiança necessária em nossos educandos.
A turma é
bastante organizada, participativa e interessada, possui fácil entendimento
quanto à percepção das atividades propostas, interagem bem, socializam-se e
participam ativamente.
Pode-se
perceber algumas dificuldades da aluna Amanda, que não possuía muita destreza
na realização das tarefas, mas não desistia e era sempre incentivada pelos
colegas, cumprindo cada série até o final em contrapartida estava o aluno Rayan
que é muito “elétrico” e quer fazer tudo rápido, mas de maneira geral a
participação foi efetiva e bastante compensadora.
Acredita-se
que as brincadeiras devem acompanhar a criança de educação infantil, pois nesse
período da vida da criança, são relevantes todos os aspectos de sua formação,
pois como ser bio-psico-social-cultural dá os passos definitivos para uma
futura escolarização e sociabilidade adequadas como membro do grupo social a
que pertence.
A
abordagem da Matemática assenta na distinção entre os diversos tipos de
objetivos curriculares, que segundo Barros e Palhares (1997), incluem os
conhecimentos, as capacidades, os valores e as atitudes, de uma forma lúdica
(p.9).
Para
Caldeira (2009), o mais importante no aprender da Matemática é a atividade
mental a desenvolver nas crianças e por elas mesmas (p.11).
Mais uma
etapa vencida e o mais importante que valeu a pena, receber os cumprimentos da
professora quanto minha performace e o Pedagogo foi só elogios quanto à
preparação, empenho e materiais utilizados. Sai da instituição com a sensação
de dever cumprido, de uma competição ganha e com a certeza de que os anos de
preparação e empenho me trouxeram uma bagagem que me fizeram carregar o nome da
Faculdade Bagozzi com glamour e segurança da realização de um bom trabalho.
10. REGÊNCIA EM EDUCAÇÃO INFANTIL – 05 DE MARÇO DE
2013
Segundo
dia de intervenção o coração batia mais calmo, mas a expectativa era grande,
hoje seria a vez de trabalhar uma viagem ao Corpo humano, os materiais foram
pensados com carinho para que chamassem atenção para seu funcionamento real, a
preparação foi árdua mais cada etapa valeu a pena e a grande boca utilizada em
tantas intervenções, apresentações voltava à cena.
Cheguei
cedo à instituição, visto que nesta data não tive aula na Faculdade, novamente
utilizei o espaço exterior da instituição, arrumei cada detalhe com carinho e
dedicação costumeiros, novamente o Pedagogo me auxiliou em cada etapa e se
encantou com os materiais levados e a dedicação.
Nessa
primeira fase seria trabalhado as partes do corpo humano de maneira lúdica,
pois com as brincadeiras o espaço escolar pode-se transformar em um espaço
agradável de conhecimento e entendimento, permitindo que o educador alcance
sucesso em seu objetivos.
A criação
de espaços para conhecimento e brincadeiras é uma das tarefas mais importantes
para o professor, principalmente na escola de educação infantil. Cabe-nos
organizar os espaços de modo a permitir as diferentes formas de conhecimento,
de maneira tal, que as crianças que estejam realizando as atividades enriqueçam
seu conhecimento visualizando situações reais de sua vivencia em sociedade.
A
expectativa das crianças era grande, na roda de conversa foram trabalhados os
conhecimentos prévios das crianças a respeito do corpo humano, novamente a
participação foi em massa e o interesse nítido em cada pergunta.
Com a
utilização de um fantoche em forma de corpo dei início às atividades,
contando-lhes a história de Teddy – O Corpo e permitindo que cada criança
participasse, tirasse suas dúvidas, questionasse. Todos prestaram atenção.
Ensinar
não se limita somente a repassar informações ou mostrar apenas um caminho que o
professor considera o mais correto, mas é ajudar o sujeito a tomar consciência
de si mesmo, de suas dúvidas, de seus limites. É incentivar a criança a aceitar-se
como sujeito, oferecendo-lhes ferramentas para que possa escolher dentre muitos
caminhos, aqueles que sejam compatíveis com seus valores, sua visão de mundo e
com as circunstâncias adversas que cada um irá encontrar durante a vida.
Organizei
a turma para fazermos uma Viagem ao Corpo Humano. Mais uma vez professora e
Pedagogo estavam presentes e consequentemente nesta data a diretora também veio
conferir o espaço montado. As crianças ficaram estagnadas, queriam saber mais e
mais sobre cada parte mostrada, seu funcionamento, sua utilidade, se realmente
circulava sangue por entre as partes, foi espetacular.
Sem
dúvida, os conteúdos podem ser trabalhados com o uso de atividades lúdicas, com
o visual, sendo que desta maneira a criança é capaz de fixar conteúdos,
compreender conceitos e formular questões.
Os
folders estimularam a visualização das crianças e fizeram parecer que estavam
realmente indo a um museu, viagem ou outro evento.
Ao
elaborar materiais pedagógicos, há que ter em conta o tamanho das imagens, a
adequação dos textos, as cores, de forma todas as crianças vejam bem, que todas
sejam instigas e estimuladas. Outra
coisa importante é também as animações que damos aos objetos, textos e às
próprias imagens.
Segundo
Martins, Veiga, Teixeira, Tenreiro-Vieira, Vieira, Rodrigues, Couceiro, e
Pereira (2009), “inicialmente, através do seu brincar, e posteriormente, de uma
forma mais sistematizada quando acompanhada pelo adulto, a criança vai
estruturando a sua curiosidade e o desejo de saber mais sobre o mundo que a
rodeia” (p.12).
Antunes
(1998) refere que “os jogos complementam os recursos auxiliares que levam a
criança a, cada vez mais intensamente usar sua fala como instrumento de
descoberta e inserção construtiva em seu mundo” e que “a aquisição do
vocabulário da criança está diretamente ligada ao que ouve” (p.46).
Mais um
dia terminado, a satisfação entre a equipe pedagógica era salientada em cada
gesto e em cada palavra, sendo que nesta ocasião já veio o convite para
posteriores elaborações de projetos e trabalhos com as crianças dos mais
variados níveis, sai dali satisfeita e com a certeza de que o trabalho
realizado tinha dado frutos.
10. REGÊNCIA EM EDUCAÇÃO INFANTIL – 06 DE MARÇO DE
2013
Hoje o
dia seria corrido e cheio de emoções, visto que além da regência também tinha o
treino para a competição, mas tudo era feito com amor e dedicação, então o dia
de 24 horas passaria a ter 48, pois tais atividades eu amava fazer e buscava
fazer bem feito.
Nesta
data trabalharia os cinco sentidos.
Em conjunto
com a professora regente, que costuma trabalhar com temáticas durante os
planejamentos semanais, foi sugerido o tema “O corpo humano”, e dentro de tal
contexto subdividi o conteúdo em duas temáticas: as partes do corpo trabalhado
anteriormente e os cinco sentidos. Conteúdo este que seria trabalhado de forma
transdisciplinar para vinte e oito crianças, trabalho realizado utilizando
métodos de pesquisa-ação e observações que me fizeram perceber que havia uma mecanicidade
docente que levava em consideração mais a disciplina comportamental do que
atividades intencionais. Assim sendo, utilizei atividades lúdicas como
metodologia em sala de aula, aplicando os eixos especificados nos Referenciais
Curriculares Nacionais para a Educação Infantil. (BRASIL, 1998).
O
pesquisador precisa perceber a busca do saber como algo prazeroso, que lhe
proporcione um olhar diferente do que tinha antes. A pesquisa tem papel ativo
no ensino, e é por meio dela que se dará o processo de investigação. Para
tanto, o professor pesquisador deve estar sempre em busca de novos horizontes,
de novos conhecimentos, de análises reflexivas, enfim, de um novo saber. Por
meio da pesquisa os futuros professores podem compreender e melhorar seu
cotidiano escolar. De acordo com Oliveira (2003, p.41), “a prática atualiza e
interroga a teoria, ou seja, a prática sinaliza questões e a teoria ajuda a
apreender essas sinalizações, a interpretá-las e a propor alternativas”.
Numa
primeira etapa trabalhei com tabelas visando à interpretação, observação e o
reconhecimento das crianças, mas uma vez fui surpreendida com o entusiasmo e
interação dos mesmos.
A
participação no reconhecimento das partes representativas dos cinco sentidos
fez com que todos interagissem e muitas perguntas foram feitas. A participação
foi espontânea.
Muitos
teóricos trouxeram relevantes pesquisas sobre a utilização da ludicidade no
processo de ensino e aprendizagem, concluindo que os alunos desenvolvem a
responsabilidade, a autoexpressão e a cognição. A criança sente-se estimulada e,
sem perceber, vai se desenvolvendo e construindo seu conhecimento.
O
planejamento foi elaborado para quatro horas de atividades, mas a curiosidade
ia além, tendo como tema o conhecimento do corpo humano e dos cinco sentidos,
trabalhado de forma transdisciplinar com os eixos matemática, linguagem oral e
escrita, movimento, artes, música, identidade e autonomia, contidas nos
Referenciais Curriculares Nacionais para a Educação Infantil. (BRASIL, 1998).
A
disposição das crianças em círculo possibilitou experiências múltiplas, que
estimularam à criatividade, a experimentação, a imaginação. Afinal , quando se
tem a intenção de mudar a rotina, pode-se, por exemplo, fazer o que foi
desenvolvido ao longo do estágio supervisionado: começar dispondo as cadeiras
em meio círculo, utilizar fantasias e decorar os espaços como uma verdadeira
viagem feita por dentro do corpo humano, de modo a surpreender as crianças,
durante sua recepção. Nas experiências vivenciadas, a atitude promoveu alegria
na chegada ao ambiente escolar.
A
utilização da música foi um bom veículo de comunicação, pois teve o poder de
alterar o comportamento e incentivar a realização das atividades com prazer.
Muitas são as músicas infantis que podem ser adotadas nas diferentes
modalidades e estratégias de ensino e aprendizagem. Na temática proposta, foi
selecionado o tema “corpo humano”, para o qual há uma infinidade de opções
musicais a serem exploradas pelo professor. Dentre elas, optei, nesta data, por
uma canção que tem a seguinte frase padrão, a qual se repete com a alteração
das partes do corpo envolvidas: “Pra entrar na casa do Zé, tem que bater o
pé”... pra entrar na casa do Zé, tem de bater as mãos... pra entrar na casa do
Zé, a canção permitiu que as crianças cantassem, participassem intensivamente
dos movimentos, batessem os pés, as mãos e rodassem, acompanhando o ritmo da
música no espaço da sala. E todos pudessem, à medida que fossem chegando, participar
da brincadeira.
Para
Craidy e Kaercher (2001, p.123), “(...) com a música podemos trabalhar o esquema
corporal, a coordenação motora, a lateralidade, a expressividade. Além da
possibilidade de conhecer os animais, as cores, a noção de número, a
alimentação (...)”.
Os jogos
e brincadeiras podem ser desenvolvidos no aprendizado das crianças de várias
maneiras. Para a pesquisa-ação ora descrita, foram confeccionados materiais que
incentivaram as crianças a transpor obstáculos, estimularam a criatividade.
As
crianças foram exploradoras e gostaram bastante de observar diversos fatores no
seu dia-a-dia. De acordo com Eshach (citado por Martins ET al., 2009) as
crianças devem “(…) vivenciar situações diversificadas que, por um lado,
permitam alimentar a sua curiosidade e o seu interesse pela exploração do mundo
que as rodeia e, por outro, proporcionar aprendizagens (…)” (p.12).
Penúltimo
dia de trabalho na escola, o cansaço era visível, entretanto a satisfação
superava os desafios.
10. REGÊNCIA EM EDUCAÇÃO INFANTIL – 07 DE MARÇO DE
2013
Último
dia de intervenção. Cheguei à instituição depois de um dia de aula, mas a
animação era presente e a vontade de quero mais, grande.
Logo me
dirigi à sala, as crianças me aguardavam ansiosas e curiosas, até mesmo as
crianças das outras turmas demonstravam interesse pela prática que estava
perfazendo com o Pré II, vinham de todos os lados perguntar quando iria
trabalhar com elas, quando iria dar aula para elas. Um fato marcante nesta data
foi à decepção da turma de Pré I ao saberem que as estagiárias de outra
instituição, não iriam naquela data, foi de cortar o coração, mas tudo faz
parte e o show não pode parar afinal eu estava ali honrando o nome da
instituição a qual pertenço.
Nesta
data trabalharia língua portuguesa e novamente conteúdos referentes à
disciplina de artes. A turma sem que eu pedisse se organizou em círculo e ficou
na expectativa do início das atividades. De dentro de uma caixa fui tirando
personagens de Monteiro Lobato e contando-lhes um pouco da história de cada um,
salientando estava vestida de Visconde de Sabugoza.
As
crianças prestavam atenção em cada movimento, em cada cena.
Afinal, é
através da literatura que a criança desperta uma nova relação com diferentes
sentimentos e visões de mundo, adequando assim, condições para o desenvolvimento
intelectual e a formação de princípios individuais para medir e codificar os
próprios sentimentos e ações. Dialogando sobre esse assunto Bettelheim
(1980) afirma que a criança desenvolve por meio da literatura, o potencial
crítico e reflexivo. Afirma que a partir do contato com um texto literário de
qualidade, a criança é capaz de refletir, indagar, questionar, escutar outras
opiniões, articular e reformular seu pensamento.
Pude
nesta fase observar que muitos alunos modificaram o seu jeito de pensar e agir
ao ter o contato com a literatura passando a adquirir mais confiança à medida
que se sentiam capazes de criar e dominar sua emoção e sua imaginação. Para a
criança, a literatura é tudo na sua vida, pois é através dela que demonstra a
sua realidade em forma de fantasia, através dos desenhos, das brincadeiras, das
histórias, das músicas.
Para
tanto, é pertinente que o professor introduza na sua prática pedagógica a
literatura infantil e que a mesma disponha de informação que venha a contribuir
para o desenvolvimento da criança, estimulando o aluno a buscar diferentes
caminhos para as resoluções de problemas.
Através
do contato com a mídia e a tecnologia as crianças se viram frente a um mundo
digital e informatizado, no qual a participação foi contínua, alguns tiveram
dificuldades, mas estava sempre presente auxiliando e mediando o processo.
A criação
de espaços e tempos para jogos, brincadeiras, leitura é uma das tarefas mais
difíceis do professor, principalmente na escola de educação infantil. Cabe-nos
organizar espaços, de modo a permitir os diferentes conhecimentos, de maneira
tal que as crianças que se encontrem mais atrasadas não sejam atrapalhadas por
aquelas que realizam uma atividade que exige mais habilidade, mobilidade e
expansão de movimentos, ou seja, observando e respeitando as diferenças de cada
um.
Uma
observação atenta pode indicar que a participação do mediador como elemento
propulsor de enriquecimento das atividades desenvolvidas, introduzindo novos
personagens ou novas situações que tornem o jogo, a leitura ou a brincadeira
mais rica e interessante para a criança, aumentando suas possibilidades de
aprendizagem.
Desta
forma interagi quando ao trabalho frente aos jogos de computador com as
crianças de maneira tal que não se sentissem tímidas ou fora de foco e a
aceitação foi muito boa.
Na escola
é possível se soltar e trabalhar os jogos como forma de difundir conteúdos.
Para isso entendo ser necessários a vivência, a percepção e o sentido, ou seja,
o educador necessita selecionar situações importantes dentro da vivência em
sala de aula, perceber o que sentiu como sentiu e de que forma influencia o
processo de ensino/aprendizagem, além de compreender que no vivenciar, no
brincar, a criança é mais espontânea.
Procurei
sempre manter a comunicação com as crianças, interagir junto a elas, sanar suas
dúvidas, motivar para que não desistissem que sempre poderia haver um recomeço
qualquer que fosse a atividade. Entende-se que a motivação característica dos
exercícios é o simples prazer funcional. E suas finalidades para a criança,
são, entre outras: servir como reforço às habilidades anteriormente adquiridas.
Foi
compensador aliar teoria a prática, observar que quatro anos de formação de
docentes e o complemento em Pedagogia me deram segurança e firmeza na atuação
frente à turma. A satisfação foi grande em ver em cada rosto a alegria de me
receber e principalmente ouvir palavras tão enaltecedoras da equipe pedagógica
e da professora, certamente valeu à pena, pois tudo que é feito com prazer,
amor e dedicação traz bons resultados.
REFLEXÃO FINAL
Terminado
o estágio, fiz uma reflexão de tudo que vivenciei na sala de aula, percebi que
criança gosta mesmo é de “coisas de crianças”, sendo assim, confesso que senti
um grande alívio. Conhecendo casos de crianças que pulam certas fases, deixando
de aproveitar sua infância, fico feliz ao ver brilho nos olhos infantis quando
se deparam com obras mágicas, feitas para elas, brincadeiras e até mesmo com a
tecnologia.
Durante
toda a prática do estágio, pude perceber que todos os alunos se interessaram
pelas atividades aplicadas, com isso, reforço à tese de que “criança tem que
ser criança”. Muitos pais e até mesmo professores acabam deixando de lado,
brincadeiras que o fizeram felizes no passado, com a desculpa do mundo estar em
completa transformação e que isso já ficou para trás.
Com o
projeto, percebi que as coisas do passado são muito úteis no presente, que
ainda fazem as crianças felizes, refletem conhecimentos e as tornam formadoras
de opinião.
Que a
importância do professor pesquisador, reflexivo crítico e participativo é
elementar para a formação de seres pensantes e atuantes em sociedade.
Confesso
que fiquei surpresa ao ver tamanha fascinação das crianças, da professora e da
equipe pedagógica pelas atividades propostas.
No
estágio adquiri novos conhecimentos, aprendi muito, vi que ainda é possível uma
educação de qualidade em uma escola pública, basta que o professor ao lado da
comunidade e da família dos alunos, se esforce para dar a nossas crianças,
oportunidades de serem “Agentes Participativos” na educação, e não apenas
ouvintes, passivos.





















