quarta-feira, 6 de março de 2013

Estágio Educação Infantil- Abordagens,reflexões e observação
















Estágio Supervisionado "Escola Municipal David Carneiro"

FACULDADE PADRE JOÃO BAGOZZI


ESTÁGIO SUPERVISIONADO EM
LICENCIATURA PLENA EM PEDAGOGIA
PRÁTICA DE ENSINO DA EDUCAÇÃO INFANTIL
(ESCOLA MUNICIPAL DAVID CARNEIRO)

ATIVIDADES DE PRÁTICA DE FORMAÇÃO EM EDUCAÇÃO INFANTIL REALIZADA DE 18/02 A 07/03/2013








AGRADECIMENTOS

A concretização deste trabalho só foi possível a conjunto de condições e meios posto à disposição, bem como à dedicação, empenho e vontade de vários intervenientes, a quem gostaria de expressar meu mais profundo e sincero agradecimento.



A Deus, a razão do meu existir.
Porque nada se move sem a sua vontade,
Obrigado Senhor!

A minha irmã, Silmara Marcela Dobjenski
Sem o seu infindável apoio e incondicional companheirismo,
Nunca teria chegado onde me encontro hoje.

Aos meus pais:
Onde quer que estejam pela orientação, dedicação e pela minha formação determinada e lutadora.

A você Professor Orientador Helton Real:
Quero agradecer o encorajamento e amizade com que me acompanhou e o interesse a nos ajudar, o qual também representa um reconhecimento especial pelos meios técnicos postos a disposição.
     


EPÍGRAFE



 “Brincar com crianças não é perder tempo,
É ganhá-lo; se é triste ver meninos sem escola,
 Mais triste ainda é vê-los sentados
 Enfileirados em salas sem ar,
Com exercícios estéreis,
Sem valor para a formação do homem.”

 (Carlos Drummond de Andrade).






































  1. INTRODUÇÃO

O presente relato vem de encontro como parte da compreensão de que o propósito da escola é que as crianças obtenham os conhecimentos produzidos pela humanidade, ampliem as possibilidades para operá-los, transformá-los e redirecioná-los tendo como meta alavancar os avanços da civilização a serviço da humanização da sociedade, desde a tenra idade.
Portanto, a prática do Estágio Curricular Supervisionado na educação infantil, muito mais é do que o cumprimento de um requisito legal constitui-se num espaço privilegiado de aprendizado para o discente em contato com a realidade da Educação Básica, processo este que permite desenvolver habilidades, competências e conhecimentos trabalhados ao longo do Curso. 
A inserção do discente nessa realidade interinstitucional tem como foco possibilitar a aplicação dos conteúdos adquiridos durante a formação e socializar experiências, unir teoria e prática para refletir com mais profundidade sobre o Curso que se faz e a carreira que poderá, diplomado, vir a assumir.
Outro elemento fundamental que soma para o exercício do Estágio refere-se à interdisciplinaridade possível, especialmente entre as Práticas Pedagógicas, a Didática e os Fundamentos Metodológicos disciplinares que trabalham as diferentes áreas do conhecimento, uma vez que, são campos de articulação pedagógica.
Observa-se que a Educação Infantil, atualmente, adquiriu nova dimensão, no qual o processo de escolarização da infância engaja as crianças em práticas educativas específicas, com tempos e espaços diferenciados, posicionando-as em lugares socialmente demarcados e distintos.
Portanto, o que se percebe é o fato de que as crianças, chegando à escola cada vez mais cedo, se alfabetizando em um contexto tecnológico e apropriando-se do conhecimento globalizado, tendem a serem mais bem sucedidas em sua jornada futura em busca de seu lugar na sociedade. Mas, subentende-se que somente com a contribuição de programas de apoio às comunidades com maior grau de vulnerabilidade social, tais perspectivas serão alcançadas.




2. PROCEDIMENTOS E METODOLOGIA


A partir da observação sistemática do trabalho da gestão, dos educadores e dos demais funcionários da Escola DAVID CARNEIRO, assim como, o espaço físico estrutural e da metodologia pedagógica, será possível chegar aos objetivos propostos pelo estágio.
Os procedimentos metodológicos adotados são de pesquisa de campo com coleta de dados em uma ação descritiva, interpretativa e reflexiva. A forma de pesquisa objetivou o levantamento de dados e considerou a observação em detalhes que foram desde o comportamento dos educandos no antro da instituição até a interação dos mesmos no processo de ensino/aprendizagem em sala de aula e atividades extraclasse.
Primeiramente, pode-se afirmar que a referida pesquisa na modalidade de Educação Infantil, visou facilitar o entendimento da complexidade da relação comunidade/escola e professor/aluno. Para tal, buscou-se levar em consideração as dificuldades existentes na região que abriga a comunidade escolar com suas particularidades.
O estágio em Educação Infantil será exercido na quinta fase do curso de Pedagogia da Universidade Padre João Bagozzi, na Escola David Carneiro, instituição da rede regular pública municipal de Araucária, situada no Bairro Jardim Menino Deus- Costeira, constando das seguintes etapas: observação, registro e reflexão a cerca do cotidiano vivido pelas crianças no espaço da educação infantil.
Acredita-se que esse primeiro contato, com as crianças e com a instituição é de fundamental importância, pois trás uma visão dos conteúdos que podem vir a ser trabalhados, as atitudes adotadas, as necessidades, bem como propicia a aproximação estagiaria/regente/crianças.  







3. DESCRIÇÃO
3.1. CONCEPÇÃO PEDAGÓGICA DA INSTITUIÇÃO - 18 DE FEVEREIRO DE 2013


O reconhecimento da unidade teve início em 18 de fevereiro de 2013, com as observações entendidas como essenciais, para um processo de reflexão acerca da dinâmica de trabalho a ser desenvolvido, proporcionando o pensar na elaboração de um projeto de estágio, tendo como objetivo primordial contribuir para a qualidade da Educação Infantil da Instituição, observar detalhadamente as relações entre educadores, educados, gestores e demais funcionários envolvidos no processo de ensino/aprendizagem das doze turmas de Educação Infantil.
O primeiro contato aconteceu numa reunião com a coordenadora pedagógica, a diretora, e o corpo docente. A conversa inicial foi muito acolhedora, pois percebi que era bem vinda à instituição e, que mais do que mera observadora, me foi proposto à possibilidade de participar, de contribuir no trabalho realizado pelas educadoras. Passei ainda por um rodízio nas salas o que permitiu uma primeira aproximação com as crianças, com os profissionais e com o tempo/espaço da instituição.
Nesta primeira etapa tudo era expectativa, curiosidade e ansiedade para conhecer o grupo docente e as crianças e principalmente verificar a turma que mais se adequaria ao meu perfil para a realização das regências.
Nas primeiras horas dentro da Escola logo fui surpreendida com o convite para participar da reunião com docentes, gestores e coordenação pedagógica fato que me assustou por hora, mas muito me motivou. A recepção foi calorosa e me senti “em casa” tamanha o carinho e atenção que dispensaram para comigo.
Logo após o Pedagogo se incumbe de mostrar-me todos os espaços da instituição, relatando um pouco da história da mesma e os desafios enfrentados, a cada parecer percebia-se o amor e a dedicação empregados ali.
A instituição de educação infantil é um espaço de cuidado e educação, organizado e planejado para atender crianças de 3 meses a 5 anos, tendo como papel fundamental ajudar a criança a ser inserida na cultura, compartilhando com a família a responsabilidade pela formação humana. 

3.2  CONCEPÇÃO DE CRIANÇA


As crianças são bastante receptivas, tanto quanto a equipe pedagógica, dentre tantas instituições que me acolheram esta parecia um sonho, um espaço muito bem elaborado e pensado em cada detalhe.
Uma interação entre os aspectos da natureza e da cultura eram claramente observados e as especificidades do ser criança numa determinada sociedade vai a cada passo se concretizando. A criança de 0 a 5 anos vive um período evolutivo fundamental, uma vez que seu cérebro apresenta uma grande plasticidade, determinando uma imensa possibilidade de aprender, maior do que em qualquer outro momento de sua vida. A criança é considerada como sujeito e as relações que com ela se estabelece devem privar os desejos, as opiniões, a capacidade de decidir, as maneiras de pensar, de se expressar e as formas de compreender o mundo, tais atitudes são extremamente respeitadas na instituição.
 A criança aqui na Escola Municipal Davi Carneiro constrói uma história pessoal, que vai se fazendo na cultura familiar e que se define em função da classe social que sua família ocupa, do espaço geográfico que habita, da cor de sua pele, do sexo a que pertence das especificidades de seu desenvolvimento e das vivencias socioculturais, podendo a mesma ser entendida como um ser que é capaz de construir sua identidade e sua cultura, um ser social.


      3.3  O PAPEL DO PROFESSOR


      O professor de educação infantil da Escola David Carneiro busca conhecer o processo de desenvolvimento das crianças com as quais trabalham, desafiando e intervindo na sua zona de desenvolvimento proximal. Tais processos favorecerem as diversas interações entre as crianças e delas com os adultos, dentro e fora da instituição, propiciando avanços que não ocorreriam espontaneamente.


      3.4  O PAPEL SOCIAL DA ESCOLA
É papel da instituição de Educação Infantil desenvolver todas as demais formas de linguagem, fazendo a mediação entre a criança e a cultura e possibilitando seu acesso as fontes de conhecimento. A Escola DAVID CARNEIRO visa transmitir com qualidade o conhecimento historicamente acumulado a todos os alunos, acreditando que deve preocupar-se com a formação do homem atual em relação a sua época e comprometido com a construção de uma sociedade igualitária.
 A educação que se inicia na tenra idade tem caráter de possibilitar o desenvolvimento para as mais diversas áreas de conhecimento. Mas para tanto, é preciso conhecer as crianças em sua concretude, isto é, conhecer os saberes, valores e práticas nos quais elas estão se constituindo, bem como conhecer as especificidades e necessidades de cada faixa etária levando-se em conta esses conhecimentos na organização das propostas pedagógicas. A Escola Davi Carneiro prega tal requisito como elemento propulsor para a formação de cidadãos reflexivos e participativos da sociedade em que vivem.


4.  CARACTERIZAÇÃO DA UNIDADE ESTAGIADA


A Escola David Carneiro, localizada na Rua Bernardino Lemos, 326-Jardim Menino Deus - Costeira- Araucária, possui 12 salas para atendimento do público infantil, salas estas bem decoradas e equipadas.
O centro de educação infantil é um complexo anexo a Escola Municipal de mesmo nome, fundada em 07 de julho de 1970 pelo então prefeito Rízio Wachowicz.
  As crianças sentam-se em mesas pequenas com quatro cadeiras que ficam dispostas de forma que todos se socializem. As salas são bastante coloridas, com uma decoração atrativa, muitos cartazes enfeites confeccionados pelas professoras, alguns trabalhos aparecem expostos. É possível perceber que em cada trabalho há individualidade de cada um dos alunos, um pouco da história e das suas perspectivas de vida. São crianças receptivas, alegres e participantes, visto que o estimulo ocorre desde os bebês até os maiores.
  Nas salas do pré há alfabeto colorido fixado na parede, numerais, vogais, animais, objetos e um quadro de pregas no qual ficam os crachás na forma de lápis com o nome e a foto de cada um dos alunos. Também se observam formas geométricas expostas ao alcance das crianças para que elas possam manuseá-las.
  Os brinquedos pedagógicos ficam na Brinquedoteca, usada por todas as turmas uma vez na semana. Mas um fato me chamou atenção, existem jogos confeccionados pelas professoras que ficam guardados em caixas nos armários usados para o estímulo dos discentes no dia a dia.
  As crianças se movimentam pela sala, com liberdade, quando querem tomar água, se dirigem ao bebedouro que fica na lateral interna da sala, mostrando sua independência e autoconfiança, para ir ao banheiro pedem permissão com naturalidade, pois a professora é gentil com todos e quando necessitam de ajuda existem as estagiárias que os auxiliam.
  As professoras demonstram ter conhecimento, são seguras, em sua grande maioria possuem o magistério aglutinado da licenciatura em Pedagogia, concluída ou em curso e muitas buscam cursos de extensão. É perceptível o gosto das docentes pela leitura e pela pesquisa, havendo a sua disposição diversos livros os quais usam para planejar suas aulas. Demonstram ter interesse por outras áreas de conhecimento. Tem uma postura aberta ao ato de conhecer, refletir sua prática e o interesse pelo aprendizado dos discentes é nítido.
Tanto professoras quanto estagiárias dirigem-se aos alunos de forma carinhosa, porém sempre firme, ganhando e conquistando o respeito e a admiração, o tratamento usual é tia.
Um fato que logo me marcou positivamente, nesse primeiro contato foi à chegada de um aluno até mim, curioso sobre a minha presença ali e logo me chamou para ver o que ele fazia se referindo a minha pessoa como muito Alegre fato este que me remete a um passado na instituição Anette Macedo na qual era conhecida por Tia Feliz. Fiquei perplexa e feliz ao mesmo tempo, tendo a certeza de que realmente escolherá o caminho, a profissão certa.
Mas continuando, quando há algum conflito entre os alunos as professoras resolvem o incidente com uma conversa com os envolvidos e o mesmo é resolvido na sala mesmo. Os alunos demonstram achar a professora correta e participam efetivamente, tendo um contato que vai muito além de professor aluno e sim de mediador e incentivado.
Na rotina das salas percebe-se que há variações, pois há atividades em  muitas categorias, porém tudo acontece espontaneamente não segue uma rotina, somente no horário de entrada, lanche e saída.
Quanto à organização da rotina os alunos têm livre arbítrio de opinar. As crianças sugerem, escolhem e são sempre ouvidas com atenção pelas professoras. As atividades desenvolvidas na sala de aula sempre fazem parte de projetos que surgem a partir do interesse e da necessidade da turma. E acontece de forma interdisciplinar.
 As brincadeiras e brinquedos são atividades integradas aos conteúdos desenvolvidos nas salas de aula pelas professoras, as quais acompanham os alunos durante as mesmas.
   O processo avaliativo é realizado constantemente, as crianças são avaliadas sem que percebam, segundo o que me informou o Pedagogo.
Os limites e o tempo de aprendizagem são respeitados.
Questionei sobre a questão da violação dos direitos da criança, visto que tal instituição se encontra em uma zona periférica do município de Araucária, logo o Pedagogo ressaltou que tais questões são raras, mas quando acontecem são tratadas com acompanhamento legal necessário.
O primeiro dia se findava com a sensação de dever cumprido e o gostinho de quero mais e principalmente com o desafio de apresentar um projeto/planejamento que satisfizesse a qualidade observada ali.



5. MODALIDADES DE ATENDIMENTOS E SUPRIMENTOS DE RECURSOS DA ENTIDADE – 19 de fevereiro de 2013


Mais um dia se inicia novas descobertas, novos horizontes me aguardam. Hoje conheceria mais um pouco da instituição na qual faria meus estágios e posteriormente as regências, queria estar interada de cada fato, de cada pedacinho e conhecer sua história. História de um município que muito me atraia por ser a terra natal do meu grande herói, MEU PAI, e meu coração sabia que onde ele estivesse estaria sorrindo por estar ali compartilhando um pedaço do que ele mais amava.
A Escola Municipal Davi Carneiro possui este o nome desde 1971, no início era uma instituição pequena, construída no mandato do Dr. José Tadeu Saliba. No início a escola era composta de duas salas de aula, duas áreas cobertas, dois sanitários, um poço de água potável, uma horta e uma cantina, tais elementos são visíveis nas placas e documentos espalhados pela instituição.
Somente no mandato de Rogério Donato Kampa (figura celebre do município de Araucária, cuja qual tive o prazer de conhecer) passou a atender uma demanda maior de alunos, atendendo uma clientela de educação infantil, ensino fundamental e médio, educação especial e EJA, fato este me informado pelo Pedagogo, que mais uma vez fez questão de me acompanhar na visita e apresentar cada espaço, mesmo aqueles que não fariam parte da minha atuação.       
A instituição possui na Educação o caminho para crescer pessoal e profissionalmente, questionar com o aluno a sua realidade, formulando problemas e tratando de resolvê-los, utilizando para isso o pensamento lógico, a criatividade, a intuição, a capacidade e análise crítica, selecionando procedimentos e verificando sua adequação, apropriando-se de conteúdos a fim de instrumentalizá-los no exercício da cidadania.
Saviani (2000 p. 41), afirma que o caminho do conhecimento. “É perguntar dentro da cotidianidade do aluno e na sua cultura; mais que ensinar é aprender um conhecimento, é preciso concretizá-lo no cotidiano, questionando, respondendo, avaliando, num trabalho desenvolvido por grupos e indivíduos que constroem o seu mundo e o fazem por si mesmos.”
Para isso um trabalho em conjunto numa gestão democrática de forma significativa de consolidação em uma linha comum de atuação é muito importante, envolvendo toda a comunidade escolar.
              Para estimular a participação coletiva da comunidade na vida da entidade, a Escola usa de todos os meios que dispõe, realizando reuniões, confraternizações, etc., com resultados positivos.
A escola mantém vínculos estreitos com a comunidade educativa, com a Universidade Federal do Paraná e com a UTFPr, os pais participam do Conselho Escolar, da Associação de Pais e Mestres, da elaboração do Projeto Político Pedagógico e no acompanhamento e avaliação da qualidade dos serviços prestados.
A Escola Municipal David Carneiro atende as modalidades de Educação Infantil, Ensino Fundamental e Médio, Educação de Jovens e Adultos e Classe de Educação Especial, seu horário de funcionando é no período diurno e noturno para as classes de Ensino Médio Regular e EJA.
As turmas são organizadas conforme ordem de matrícula observando-se possíveis pedidos do aluno e ou pais quanto á permanência na mesma turma de irmãos ou primos priorizando a valorização das diferenças individuais, fato este me informado pela secretária.
As turmas são distribuídas na medida do possível, conforme o interesse do professor em trabalhar com essa ou aquela turma, levando em consideração sua formação e interesses. As turmas do Ensino Fundamental e Médio contam com mais de 45 alunos, as classes especiais contam com cerca de 10 alunos, as turmas de EJA com 20 alunos, fatos que o Pedagogo fez questão de ressaltar e me mostrar, mesmo fugindo da área de pesquisa proposta. A educação infantil no berçário se divide em duas fases a primeira de 03 a 06 meses com 10 bebês e a segunda de 6 a 1 ano com 10 bebês, já as turmas de maternal e pré contam com 28 alunos cada.



6. CARACTERIZAÇÃO DA COMUNIDADE


A Escola Municipal David Carneiro, atende uma clientela de nível socioeconômico médio-baixo, oriunda de uma classe de trabalhadores, muitas vezes sem vínculo empregatício, não inserido no mercado de trabalho ou oriundos de subempregos.
A comunidade na qual a Escola está inserida necessita de uma atenção especial dos educadores, fato que pude observar na andança pelos arredores e no caminho que perfiz até chegar à mesma. Como indica Saviani “a mediação da escola, instituição especializada serve para operar a passagem do saber espontâneo ao saber sistematizado, da cultura popular à cultura erudita, assumindo um papel político fundamental”.
E, como se sabe a profunda segmentação social, decorrente da má distribuição de renda, tem funcionado como um entrave para uma parte considerável da população. A comunidade de inserção da instituição não foge deste parâmetro, então aí é que a Escola deve intensificar o relacionamento, interagindo e procurando atuar de forma contínua e permanente para favorecer a compreensão dos fatores políticos, sociais, culturais e psicológicos, dando oportunidade aos alunos de adquirirem conhecimentos sistematizados para que interfiram criticamente na realidade a fim de transformá-la.
Entretanto a comunidade é participativa e, acompanha e participa do desenvolvimento escolar das crianças.
 Lendo tais relatos e presenciando alguns fatos me emocionei ao perceber a possibilidade e a luta de condições mais dignas de educação e sobrevivência pleiteadas por educadores que muitas vezes vem de longe para exercer a grata função de ensinar, bem como de voluntários e pesquisadores de entidades públicas que visam colaborar na formação da criança desde os primeiros anos.
 É visível o grande empenho dos professores, especialistas em educação e direção em buscar alternativas para sanar as dificuldades dos alunos que chegam à instituição muitas vezes sem nem um alimento para satisfazer sua fome. Os alunos que necessitam de atendimento especializado são encaminhados para avaliação médica, psicológica, fonaudiológica ou psicopedagógica que é oferecida pela Prefeitura municipal.
 Alguns pais, membros da associação de bairro e outros moradores são colaboradores em atividades promovidas pela escola, projetos, festas e comemorações. Os professores são responsáveis, dedicados, buscam orientação junto à supervisão e em outras fontes para que possam aperfeiçoar o atendimento aos alunos.
A escola desenvolve vários projetos com o objetivo de levar os alunos a formar habilidades e competências essenciais para a sua formação integral. As aulas de Educação Física acontecem desde as turmas de maternal I visando o incentivo esportivo das crianças, com a colaboração de acadêmicos da Pontifícia Universidade Católica, Faculdade Dom Bosco e UFPR.
Ao final deste dia cansativo, me peguei a pensar e refletir sobre a realidade em que vive a população brasileira, sem condições dignas de saúde, de sobrevivência e cheguei à conclusão que cabe a cada um de nós futuros profissionais de Educação fazer a diferença e lutar para que a Educação aconteça de modo justo e igualitário, pesquisado cada elemento e contribuindo em cada passo dado para um futuro mais promissor.



7. PLANO DE GESTÃO DE EDUCAÇÃO DEFENDIDO PELA ENTIDADE E COMUNIDADE ESCOLAR- 20 de fevereiro de 2013


Mais um dia de trabalho se inicia na Escola que tanto tem me feito pensar e refletir sobre a verdadeira função de ser professor, pedagogo ou pesquisador de novos meios para tornar a educação elementar e um fator que atenda desde a classe menos privilegiada até o mais alto escalão com o mesmo amor e fidelidade, pois do que adianta um país analfabeto incondicional, sem condições participativas e opinantes na sociedade em que habitam?
Hoje o Pedagogo não pode me acompanhar, mas fui conduzida pela professora Raquel na visita pela instituição.
A Escola Municipal David Carneiro, tem no núcleo de Educação Infantil o principal foco da existência dos projetos administrados pela entidade. O perfil político pedagógico da Escola apresenta-se como uma instituição educacional identificada com o comprometimento da construção de uma sociedade com menos desigualdade social.
A entidade tem como eixo principal de seu trabalho a aprendizagem, desta forma, mais importante do que saber o que se ensinar, é saber como ensinar e como se desenvolve o processo de aprendizagem.
Sendo assim, percebe-se a necessidade de docentes realmente envolvidos com processo de aprendizagem de seus alunos, no sentido de estarem preparados para os diferentes desafios que permeiam a prática de ensino e o desenvolvimento do educando.




8. ESTRUTURA FÍSICA E DE RECURSOS HUMANOS DA ESCOLA


O espaço físico da escola é muito bem estruturado, o prédio possui dois pavimentos - sendo que o pavimento superior agrega 10 salas de aula, 01 laboratório de informática, banheiro para alunos, banheiro para deficientes, sala de permanência, sala de acervo de livros, biblioteca. No pavimento inferior 05 salas de aula, LAAP – laboratório de Apoio a Aprendizagem, Banheiro para alunos, secretária, cozinha, setor pedagógico, sala da direção, sala dos professores, almoxarifado, banheiro para professores e funcionários, banheiro para deficientes físicos, almoxarifado para Educação Física, depósito externo para diversos, cancha coberta, quadra poliesportiva.
A educação infantil funciona numa área restrita e separada do ensino fundamental e médio, possuindo em seu aglomerado, cozinha, brinquedoteca, salas de aula equipadas e adequadas a cada faixa etária, lactário, cozinha, refeitório, banheiro para professores, banheiro para alunos especialmente adaptados, área externa equipada com brinquedos.
 As salas são espaçosas, equipadas cada uma com um armário decorado, porta materiais ao alcance das crianças, um equipamento de DVD, uma televisão de 21’ e um ventilador de teto, possuem colchonetes para uso dos alunos. As carteiras são coloridas com quatro cadeiras cada mesa, cada sala possui o cantinho da leitura e dos brinquedos, no berçário encontram-se berços bem dispostos e coloridos alegrando o ambiente, móbiles e enfeites por todas as paredes.
 O material pedagógico é suficiente para atender as necessidades da escola, a alimentação é complementada por merendeiras e ricas em nutrientes contando com uma dieta balanceada fiscalizada por uma nutricionista.
O espaço de funcionamento da educação infantil ainda conta com um refeitório equipado com mesas adaptadas para uso infantil, uma sala de refeição para uso dos funcionários, dois pátios pequenos para entrada e saída, um parquinho com brinquedos de uso infantil, uma pequena lavanderia somente com tanques acoplados, dois balneários em abertos para uso das crianças em seus banhos matinais (sendo que um ainda está em construção).
Pode-se dizer que a escola é bem equipada e atende as necessidades básicas das crianças, propiciando conforto e uma moradia enquanto ali permanecem.



9.  OBSERVAÇÃO PARTICIPATIVA - 21 de fevereiro de 2013


Na data de 21 de fevereiro de 2013 inicia-se a observação participativa que segundo Coutinho (2002) é o procedimento metodológico mais apropriado para desenvolver uma investigação na convivência com crianças, pois para conhecê-las é preciso observá-las e estando junto a elas e impossível não participar.
As crianças atendidas na escola são bastante carentes, entretanto possuem bastante estímulo, força de vontade e apoio das entidades financiadoras.
 Quanto ao público infantil atendido, em matéria de comportamento, percebe-se que em sala de aula pouco difere das minhas experiências em outras comunidades com mais estrutura social e recursos, vai além a muitos conceitos e cuidados.
As educadoras e o Pedagogo enaltecem em muito o amparo da Prefeitura Municipal e de seus governantes, assim como enaltecem a iniciativa privada que sempre ajuda de alguma forma a entidade, o que reflete no processo de qualidade estrutural e na escolarização infantil da David Carneiro.
O estágio foi feito em sala de aula e também em outros espaços, como acompanhamento das atividades no pátio, no refeitório e na brinquedoteca.
Nesta data pude observar as salas do berçário, maternal I e maternal II. Sendo que os perfis das professoras divergem no trato com as crianças, mas entende-se que cada educador tem suas particularidades para o desempenho das funções como docente.


9.1.1. OBSERVAÇÃO PARTICIPATIVA – TURMA BABY COLYNHO E BABY PEZYNHO

O atendimento dos bebês é feito em período integral, garantindo desta forma a utilização dos berços.
A partir dos três meses a instituição recebe os bebês e as mães para uma adaptação tranquila, se focando desta forma na integralização entre a equipe da instituição, criança e família.
Nesta fase o bebê vai se desenvolver de acordo com seu ritmo respeitando todas as suas particularidades, seu período de sono e suas necessidades. Para que isso ocorra às vagas são restritas e existe uma equipe capacitada para o atendimento do berçário. A escola conta com o que há de melhor em questão de estímulo, puericultura e todos os cuidados que uma mãe deseja ao seu filho.
Realmente as salas para atendimento aos bebês são fantásticas, tanto na decoração quanto na distribuição de materiais de incentivo e organização, é nítido o preparo das professoras e atendentes, não deixando a desejar a qualquer escola de alto padrão.
Fisioterapeutas (estagiárias) de universidades públicas e privadas desempenham projetos, preparando novos desafios, avaliando e acompanhando o desenvolvimento de cada bebê. Todas as atividades de desenvolvimento são avaliadas e orientadas por uma equipe multidisciplinar.
Os nomes Baby Colynho e Baby Pezynho é designação da própria instituição para designar os bebês de colo e os bebês que já ficam em pé e começam a andar. O ambiente para cada etapa é pensado com carinho, desde a parte arquitetônica até a parte de incentivo.
A alimentação dos bebês é elaborada semanalmente pela nutricionista Cassiana. Evoluindo da pastosa a mais sólida.
Além da formação em Pedagogia as professoras possuem também o curso de berçaristas e primeiros socorros.
Dentre as atividades desenvolvidas constam a musicalização e expressão corporal. Para a acomodação dos bebês a instituição possui sala de repouso, solário, sala de atividade, lactário, são espaços pequenos, mas que proporcionam conforto e êxito no trabalho de desenvolvimento.
Segundo Rapoport (2008), a ação pedagógica das educadoras pode ser considerada como um dos fatores mais relevantes em termos de adaptação dos bebês à creche e os cuidados depende da habilidade das professoras em prestar atenção em cada um e levar em conta as relações individuais que os bebês estabelecem.
Sendo o espaço físico fundamental para o desenvolvimento das crianças, assim como o espaço social, na medida em que ajuda a estruturar as funções motoras, sensoriais, simbólicas, lúdicas e relacionais. Cabe às educadoras ter a sensibilidade de não interferir em momentos mágicos da criança como espaço de investigação e construção de conhecimentos sobre diferentes aspectos dos contextos social e cultural da realidade que elas estão buscando conhecer.
Dessa maneira promove-se e assegura-se o bem estar, o crescimento e o desenvolvimento da criança atendendo ás suas necessidades e aos seus interesses respeitando a leitura em que estão inseridas além de ampliar permanentemente as fronteiras de seu universo. De acordo com Motta (2005, p.130).


“[...] a situação ideal de aprendizagem é aquela em que a atividade é tão significativa que aquele que aprende não a considera como um trabalho, e é necessário também que a educadora veja a criança no seu processo de construção de conhecimento”. (apud CONSTANCE KAMII e RHETA DREVIES, 2002).



O aprendizado deve estar ligado ao ato afetivo, deve ser gostoso, prazeroso para a criança aprender, para isso ela precisa ter oportunidade de desenvolvimento para ganhar espaço na sociedade.


9.1.2. OBSERVAÇÃO PARTICIPATIVA - MATERNAL I – TURMA VISCONDE DE SABUGOZA E MATERNAL II TURMA PEDRINHO

Na sala do Maternal I encontram-se crianças de um ano e quatro meses a dois anos, transição de um bebê dependente para uma criança com maior autonomia. Nesta fase tais sujeitos necessitam de outro enfoque que não seja o berçário. Atividades de aperfeiçoamento da motricidade, da linguagem, socialização necessitam ser trabalhadas.
As crianças observadas neste contexto possuem maior maturidade motora, que lhes permite explorar objetos e tudo o mais que existir ao seu redor.
As professoras se utilizam de jogos simbólicos do faz de conta, como método de acelerar o desenvolvimento da linguagem e da representação. As crianças andam e se movimentam livremente, são capazes de extraordinárias observações. Nessa fase, a criança ainda tem dificuldade em repartir seus brinquedos, daí se deve o trabalho de socialização, com a tendência de ajudar-lhes a sair do egocentrismo.
A sala é adaptada e ampla, sendo visíveis três espaços distintos: um com sofás, outro com almofadas coloridas e outro que diz respeito ao “faz de conta”. No espaço dos sofás, a educadora desenvolve atividades de vocabulário, por exemplo, quando falam sobre o fim de semana, desenvolve atividade de Estimulação à Leitura, jogos, entre outras. No espaço das almofadas, as crianças realizam as diversas atividades nas áreas de aprendizagem e na área de Conhecimento do Mundo. No espaço do “faz de conta” existe uma cozinha de brincar, uma caixa com livros e outra com alguns brinquedos.
Na sala existem armários, nos quais são guardados os materiais das crianças. Existe um módulo de arquivos, um para cada criança, onde são guardados os trabalhos.
Na hora do soninho, são colocados colchonetes para as crianças se deitarem. Os brinquedos são divididos e de fácil acesso a todas. Existem livros ilustrados ao alcance das crianças para manuseio e integração.
No Maternal II são enturmadas as crianças que estão em franca expansão do ponto de vista físico, emocional e cognitivo. Usufruindo das conquistas realizadas, essas crianças encontram-se necessitadas de novos e mais complexos desafios.
É preciso estar atento a suas falas, a seus gestos, a suas escolhas e atitudes e a produções diversas, para que se possa identificar desejos, necessidades e desafios que estejam demandando. Ela está ficando mais sociável e esporadicamente consegue ser cooperativa no grupo de convívio. Sua oralidade está se desenvolvendo bastante e ela se interessa cada vez mais pelas histórias contadas e/ou representadas, interagindo, literalmente “fisicamente e oralmente” com o conhecimento.
Aqui ocorre o desenvolvimento das crianças nos momentos de rotina: sono, higiene e alimentação. É a hora de encorajá-las a fazer escolhas de alimentos, roupas e brinquedos, a ir sozinhas ao banheiro, a comer sozinhas, a arrumar seus pertences etc.
Para que as crianças tenham boa aprendizagem, há que se ter em atenção os horários estabelecidos com rigor. Assim, são criadas rotinas de modo a que as crianças interiorizem e se apercebam do seu dia-a-dia, e que existe tempo para tudo, no momento certo.
As rotinas servem também para a criança se aperceber que vai passar por algumas atividades durante o dia e assim que interiorizar as rotinas, sabe automaticamente o que tem que fazer, sem que ninguém lhe diga nada. Zabalza (1998) diz que a rotina desempenha um papel importante, pois estrutura e possibilita o domínio do processo a ser seguido e o quotidiano passa a ser previsível, dando autonomia e segurança à criança (p.52).
De acordo com Cordeiro (2010), “é essencial criar rotinas, porque o próprio elemento repetitivo é inerente à securização” (p.286).
No Maternal II, as rotinas são as seguintes: Acolhimento, higiene, acolhimento em sala de aula, refeições, hora da brincadeira, soninho, lanche, realização de atividades.
A sala do maternal II também é bastante colorida e adaptada nesta etapa às crianças passam a ser acomodadas em mesas e cadeiras coloridas, sem serem subdivididas e sim numa fila única. Existem colchonetes coloridos para a hora do sonhinho e a higiene e altamente estimulada, bem como a independência.
As crianças nesta fase são estimuladas a guardarem seus pertences nas mochilas, a organizarem os brinquedos e passam a ter atividades com brinquedos lúdicos, que visam desenvolver seu potencial de amarrar o tênis, pentear o cabelo, etc.
A professora Márcia possui o livro das Aquisições que distribui para as crianças, este livro é composto de várias atividades como abotoar e desabotoar, fechar um zíper, etc. é muito interessante.
O nome das turmas se deve ao projeto Monteiro Lobato instituído pela Prefeitura como incentivo a leitura.
A construção da identidade e da autonomia é para a criança o grande salto para a independência, sendo a autonomia definida como a capacidade de se conduzir e tomar decisões por si própria, levando em conta regras, valores, a sua perspectiva pessoal, bem como a do outro. Conceber uma educação em direção à autonomia significa considerar as crianças como seres com vontade própria, capazes e competentes para construir conhecimentos e, dentro de suas possibilidades, interferir no meio em que vivem. Exercitando o autogoverno em questões situadas no plano das ações concretas, poderão gradualmente fazê-lo no plano das ideias e dos valores.
Realmente tanto o berçário, quanto as salas do maternal são de encantar qualquer docente e foi desta forma que sai da instituição neste dia apaixonada em ver que uma escola, mesmo situada na periferia de um município se preocupa com a formação do sujeito por completo.


9.1.3.   OBSERVAÇÃO PARTICIPATIVA - PRÉ II – TURMA RABICÓ - 22 de fevereiro de 2013


Hoje foi o meu primeiro dia de estágio no Pré II. Houve uma apresentação não só da minha parte, como também por parte das crianças e da professora.
Finalmente era chegada a hora de realizar a observação na turma que iria realizar minhas intervenções.
E foi assim que na sexta feira, 22 de fevereiro, no turno da tarde, fui para a sala do Pré II, tendo esta como professora regente Vera e uma estagiária da FAPAR, Maria Carolina. A sala conta atualmente com 28 alunos sendo 16 alunos em período integral.
Desde os primeiros contatos com as crianças elas se aproximavam, faziam perguntas, mexiam em meu cabelo, falavam de suas atividades. Portanto não seria possível somente observar, mas sim participar desse cotidiano tão acolhedor. Essas situações me aproximavam de um dos primeiros objetivos que era conhecê-las.
Procurei dentro desse limite refinar meu olhar para conhecer um pouco das crianças: Allan, Douglas, Guilherme, João Guilherme, Kevin, Lucas, Gustavo, Jonathan, Maria Eduarda, Amanda, Jennifer, Júlia, Liandra, Raquel, Sthefani, Thalita, Thaluana, Thauane, Ramon, Maria Luiza, Eder, Alex, Regina, Silvia, Jonh, Grace Kelly, Rayan e Patrícia, eram os discentes do Pré II.
Fazia registros para que informações não se perdessem, a fala das crianças, a dinâmica da professora, os conteúdos eram anotados para uma elaboração posterior das atividades de trabalho.
Tais registros contribuiriam para conhecer melhor as crianças. Para Gandini e Goldhaber (2002), através da observação e da escuta atenta e cuidadosa às crianças, pode-se encontrar uma forma de realmente enxergá-las e conhecê-las. Ao fazê-lo tornamo-nos capazes de respeitá-las pelo que elas são e pelo que elas querem dizer. Os registros do que vemos e ouvimos são elementos fundamentais para a futura aplicação do plano docente com eficácia.
 A professora conduz a aula com organização e promove atividades que favorecem o aprendizado, busca formas diferenciadas de ensinar os educandos, promovendo o lúdico e tornando prazeroso o ingresso diário à escola.
Nesta etapa, a professora iniciou a leitura do livro Cabra Cabresta. Após a mesma, visitamos a feira do livro que decorria no ginásio da escola.
Nesta data todas as crianças se encontravam presentes e a professora de simpatia ímpar logo pediu que me juntasse ao grupo e participasse de todas as atividades, fazendo com que me interasse não só dos conteúdos, mas também da rotina da turma.
Na volta da visita à Feira do Livro, a professora introduz uma dinâmica, fazendo com que cada criança escolha uma música a ser cantada, a aceitação da turma é grande e todos participam.
Com referência a atividade de musicalização é de suma importância, pois permite que a criança conheça melhor a si mesma, desenvolva sua autocrítica, seu senso de ouvinte e participante, desenvolvendo o esquema corporal, e também permitindo a comunicação com o outro.
Tais atividades contribuem para reforçar o desenvolvimento cognitivo, linguístico, psicomotor e sócio afetivo.
As atividades musicais coletivas favorecem o desenvolvimento da socialização, estimulando a compreensão, a participação e a cooperação. Dessa forma a criança vai desenvolvendo o conceito de grupo. Além disso, ao expressar-se musicalmente ela demonstra seus sentimentos, libera suas emoções, desenvolvendo um sentimento de segurança e auto-realização. Desta forma fica mais fácil compreender o universo da criança, seus desejos, suas aflições, seus limites e ansiedades.
Na sequência foi trabalhado noções de quantidade, sempre com as crianças sentadas em roda, atividade esta na qual as crianças jogavam um dado e pegavam a quantidade de tampinhas que haviam sorteado.
O importante de tal atividade esta no fato do professor perceber a dificuldade e o reconhecimento dos números, não se preocupando com o registro no papel e sim estimulando a oralidade e a participação de cada elemento. Tal situação permitiu as crianças criarem, explorarem, inventarem seu próprio modo de expressão e de relação com o mundo muitas vezes trazendo para o contexto situações oriundas de seu dia a dia, de sua vida cotidiana, criando motivação para que conceitos matemáticos fossem descobertos. A professora estava sempre presente os estimulando a estarem atentos às descobertas e desafios.
Na sequência as crianças fizeram desenhos livres nos quais puderam expressar o seu eu, sua criatividade e soltar a imaginação. A professora sempre atenta acompanhava cada detalhe e registrava, tal processo era uma maneira de reconhecimento e estratégia de aprendizagem.
Presenciei também a brincadeira passarei-passará, no qual as crianças interagiam e trabalhavam em grupo sempre com a participação da professora e da estagiária e neste caso em especial com a minha participação e interação ao grupo.
Um dos teóricos da corrente histórico-cultural em Psicologia, Vygotsky (1984), vê as brincadeiras como espaço de interação social e de construção de conhecimentos pelas crianças. Concebidas como produto do processo de desenvolvimento. As brincadeiras estão enraizadas nas ligações entre a história individual e social, e não são meras descobertas das crianças. Na brincadeira a criança produz uma cultura infantil que é um produto coletivo próprio do seu grupo.
Na brincadeira a criança transforma e amplia os conhecimentos previamente adquiridos. No entanto, a forma como ela amplia esse conhecimento é muito diversificada, pois depende de experiências e possibilidades. Brincando ela pode interagir segundo padrões não determinados pela realidade social em que vive e ultrapassar os limites colocados para a sua atividade.
A brincadeira é, sem dúvida, uma das principais atividades da infância.
Pude observar que a sala tem esse caráter lúdico/pedagógico em sua arquitetura e disponibilidade dos móveis, bem como a professora tem essa característica de ensinar brincando e interagindo sempre com as crianças, que a toda hora são instigadas a expressarem sua opinião.
Na hora do lanche fazem uma oração e cantam uma música.
Todos os dias a professora tem dois ajudantes escolhidos pela mesma, um de cada sexo.
Nas paredes da sala estão expostas as produções de desenhos realizados pelos alunos, painel de aniversariantes e de presença com figuras de meninos e meninas, feitos em EVA, com os nomes de cada aluno, eles contam quantos meninos e meninas estão presentes e quantos faltaram. Também existe um alfabeto colorido, figuras geométricas, normas de como devem se comportar na sala e na escola, e os números de 1 a 10, eles fazem a leitura diariamente.
A professora me deu total liberdade, me recebeu de forma amigável e solidária tentando me repassar os elementos fundamentais da turma e seu conhecimento.
Sai da turma realmente apaixonada e empolgada para estar frente aos trabalhos dirigindo aqueles pequenos seres em fase de formação.


9.1. 4.   OBSERVAÇÃO PARTICIPATIVA - 25 de fevereiro de 2013

Mais um encontro com a turma Rabicó, nome escolhido pelos alunos como parte de um projeto estruturado pela Secretária Municipal de Educação que a cada início de ano letivo estipula a prioridade de se trabalhar algum eixo, seja na área das línguas exatas, geográficas, etc.
Novamente todos os alunos estavam presentes e logo vieram me receber com alegria e cada um queria contar as suas novidades ou mostrar algo que haviam feito, meus bolsos se enchiam de bilhetes e até flor ganhei foi muito compensador.
Tanto o estágio, quanto a observação participativa se caracterizam como um espaço de aproximação das crianças com o futuro profissional, o reconhecimento de realidades distintas pressupõe na construção de um olhar, entendendo a creche e a pré-escola como um espaço de produção de pesquisa e conhecimento dos universos infantis. 
 Machado (1996) salienta que para se criar a possibilidade de interagir, de trocar experiências e de partilhar significados que possibilitem as crianças o acesso a novos conhecimentos é necessário o contato com o novo.  Ressaltando ainda, a necessidade do adulto inserir-se nas brincadeiras das crianças e encará-las como atividades pedagógicas.           
Neste dia de observação pude acompanhar a aula de Educação Física, ministrada por um aluno do 6º período da Faculdade Dom Bosco, que por sinal conhecia muito bem, devido ao fato de ter atuado como aluna dos mesmos na fase de Formação Docente.
Participei ativamente da aula, mesmo durante o período de observação, até porque meu hobby predileto são as atividades esportivas. Pude observar que mesmo com pouco tempo na escola o professor já era muito querido pelos alunos.
 As aulas de Educação Física na Escola David Carneiro, na fase de Educação Infantil são propostas como um tempo para os alunos brincarem, socializarem e também incentivar a prática esportiva. São oferecidos materiais como bola e corda, onde o estagiário tem a criatividade de fazer com que todos os alunos participem.
Quanto ao relacionamento entre os alunos não vi divergências onde o professor estagiário tivesse que ser mais enérgico, percebi um quadro muito grande de carência afetiva das crianças, e o professor acaba tendo que suprir de alguma forma este espaço, é sempre abraçado, vi que todos os alunos lhes tem admiração.
O professor utiliza uma abordagem construtivista, juntamente com a psicomotricidade, baseando-se nos RCNEI’s, dando ênfase ao desenvolvimento cognitivo, afetivo e motor de cada criança respeitando sua individualidade.
O estagiário me falou sobre a importância deste trabalho realizado na instituição, principalmente com a questão de brincadeiras e jogos que envolvam correr, subir, descer, escorregar, rolar para ampliar gradualmente o conhecimento e controle sobre o corpo e movimento. Recursos de deslocamento e de habilidades de força, velocidade, resistência e flexibilidade nos jogos e brincadeiras, também são aplicados. Recursos esses que possibilitam o reconhecimento de limites e a socialização das crianças.
 Segundo Freire: “Entre os recursos pedagógicos que a Educação utiliza em sua tarefa de ensinar, há um muito particular, que são as atividades corporais provenientes da cultura da criança”.
A experiência de estar ali como observadora, era diversificada, pois hoje poderia analisar contextos, adequar conhecimentos fundamentais na vida acadêmica de Pedagogia.
Todos os artigos lidos, seminários presenciados, aulas de Metodologia de Educação Física e Corpo e Movimento que realizei ao longo da formação, me trouxeram embasamento teórico para um discernimento melhor na aplicação da metodologia desenvolvida durante as aulas, aprimorando meu desenvolvimento acadêmico.
Após as atividades os alunos fazem o lanche e é incrível o olhar de satisfação de cada um.
 Vivendo a realidade desta escola, pude perceber que o professor, seja ele regente ou estagiário, tem uma grande contribuição na vida pessoal dos alunos.
Na dinâmica de sala de aula hoje as crianças tiveram contato com noções de espaço e tempo, questões anteverás trabalhadas pelo estagiário na aula de Educação Física, ali notei que se torna imprescindível o planejamento de aula prévio para um controle melhor nas práticas ministradas.
Concluí que propiciar ao aluno momentos e condições para sua formação pessoal, psíquica, emocional e física, visando o melhor aprendizado é fundamental a interdisciplinaridade.
 Mas uma etapa vencida e novos olhares se perfazem.


9.1.5. OBSERVAÇÃO PARTICIPATIVA – 26 DE FEVEREIRO DE 2013

Nesta data a professora iniciou a aula de domínio da Matemática com o 1.º Dom de Froebel. Este material manipulável é constituído por seis esferas, de cores diferentes. A educadora realizou com as crianças diversos jogos, de modo a treinarem a lateralidade: à esquerda e a direita, os conceitos dentro e fora, frente e trás, em cima e em baixo, bem como a contagem.
Em seguida, a educadora dinamizou o jogo Quim Visual, um jogo de memória, em que as bolas estavam numa determinada posição em relação à caixa, as crianças tapavam os olhos, a educadora fazia uma alteração e a criança, a quem a educadora perguntava, tinha que descobrir qual a alteração efetuada.
As atividades lúdicas possibilitam o desenvolvimento integral da criança, já que é através destas atividades que as mesmas se desenvolvem afetivamente e convivem em sociedade.
Brincar é tido como uma necessidade básica assim como a nutrição, a saúde, a habitação e a educação, ajuda a criança no seu desenvolvimento físico, afetivo, intelectual e social, pois através de tais atividades de caráter lúdico, a criança forma conceitos, relaciona ideias, estabelece relações lógicas, desenvolve a expressão oral e corporal, reforça habilidades sociais, reduz a agressividade, integrasse na sociedade e constrói seu próprio conhecimento.
Hoje foi apresentado as crianças a História Reinações de Narizinho, através da leitura e do livro a docente fez diversas perguntas as crianças. O desenvolvimento verbal é de extrema importância para as crianças, enriquecendo também o seu vocabulário.
De acordo com Curto ET al. (2000a), as crianças fazem diferenciação entre “os desenhos por um lado, e outros signos, como letras, números, grafias diversas, etc.” por outro (p.27). Segundo os mesmos autores (2000b), e uma vez que as crianças ainda não conseguem ler, o professor deverá fazê-lo com eles (p.91).
Após o intervalo as crianças foram para aula de Artes, na qual trabalharam com massa de modelar e pintura e posteriormente desenvolveram jogos de faz de conta.
O faz de conta permite a situação imaginária e a expressão de regras implícitas que se materializam nos temas das brincadeiras. O conteúdo do imaginário provém de experiências anteriores adquiridas pelas crianças em diferentes contextos.
Ao brincar de faz de conta a criança está aprendendo a criar significados, essa é a importância dessa modalidade de brincadeira.
Fim de mais um dia, e saia cada vez mais apaixonada da instituição, encantada com tudo o que via. Mesmo já tendo presenciado dinâmicas em outras instituições, tudo o que via ali me impressionava, fazia meus olhos brilharem, tamanha a emoção e dedicação dos profissionais.


9.1.6. OBSERVAÇÃO PARTICIPATIVA – 27 DE FEVEREIRO DE 2013


Na tarde do dia 27 de fevereiro, a professora iniciou a aula trabalhando conteúdos matemáticos, com a utilização de materiais estruturados, o objetivo da atividade era trabalhar sequenciação. O material era constituído por diversas imagens de formas, cores e tamanhos diferentes.  A professora solicitou a diversas crianças sequências de imagens, ou seja, ela montou uma sequência crescente de dados amarelos e logo posteriormente colocava outras imagens e perguntava a uma criança qual a imagem que viria a seguir. A criança respondia e a mestra perguntava-lhe o porquê da imagem escolhida, desenvolvendo assim o vocabulário, a observação, o reconhecimento e a forma como a criança se explica.
Após o intervalo, as crianças foram para a Biblioteca e para a aula de Informática. A turma divide-se em dois grupos, para serem menos crianças em cada espaço e melhor tirarem partido desse momento. Neste dia estive apenas na Biblioteca, onde li o livro A Bruxinha que era boa, de Maria Clara Machado, com o propósito de fazer com que as crianças percebessem que não deveríamos julgar o livro pela capa. À medida que ia fazendo a leitura, pedi a colaboração das crianças, pois se trata de um livro em que elas podem interagir bastante. Através da leitura, fiz com que as crianças desenvolvessem a memorização das personagens na ordem devida. Tal proposta foi amplamente apoiada e incentivada pela professora regente, que acompanhou meu desempenho e elogiou a iniciativa, tal qual a caracterização e a interação com as crianças.
O uso dos materiais lúdicos é fundamental, para a aprendizagem da matemática, bem como em qualquer outra área, as crianças são normalmente dependentes do ambiente e dos materiais à sua disposição. Neles, a criança deverá encontrar resposta à sua necessidade de exploração, experimentação e manipulação. Sendo possível trabalhar diversas disciplinas dentro de um contexto.
 Com referência a leitura é fato que o gosto e o interesse pelo livro e pela palavra escrita iniciam-se na educação pré-escolar. Ao lermos histórias para as crianças, despertamos sensações, aumentamos o vocabulário, exploramos imagens, e, por conseguinte, criamos nas mesmas o desejo de aprender a ler, para conseguirem decifrar as palavras, que muitas vezes eles próprios inventam ou através das imagens ou do conhecimento prévio da história. Segundo Sequeira (2000), “o importante é que levemos o livro à criança e ajudemos a estabelecer uma conduta de comunicação com este precioso meio de comunicação” (p.67),
Nas aulas de Informática, as crianças são estimuladas a interação com os computadores, sendo que a tecnologia é o futuro e hoje em dia, cada vez mais cedo existe a necessidade das crianças aprenderem a utilizar um os meios de comunicação de maneira coerente e reflexiva, pois acaba por ser uma necessidade da nossa sociedade.
Mais uma etapa vencida e a interação com as crianças e com a regente se tornava mais saliente, a professora me dava dicas e era totalmente aberta a troca de conhecimento, posso salientar que a satisfação somente crescia.



9.1.7. OBSERVAÇÃO PARTICIPATIVA – 28 DE FEVEREIRO DE 2013


Na presente data as crianças tiveram a apresentação de um teatro, elaborado pelas alunas do 4º ano de Formação de Docentes de uma instituição de Araucária, fato que me remeteu as belas lembranças do teatro Educadores Verdes e fez a saudade bater forte.
Quando nos deslocávamos para a sala, deparamo-nos com uns senhores dentro da mesma. Estes estavam a instalar a tela para a projeção de audiovisuais. Como ainda ia demorar alguns minutos, a professora fez com as crianças o jogo do morto vivo, da estátua e do bambolê. Assim que entramos na sala, a professora questionou as crianças sobre o que fariam no fim de semana que se aproximava. Estes momentos desenvolvem o vocabulário e a linguagem. Após esta partilha, a professora fez a leitura de uma história.
As crianças no dia de hoje tiveram aula de Música.
Depois do lanche foi introduzindo o conceito de figura geométrica com a apresentação do senhor quadrado. O senhor quadrado era um quadrado, com olhos, boca, braços e pernas. Através da apresentação do quadrado, introduziu os Blocos Lógicos. Solicitou a algumas crianças para que retirassem do conjunto de peças uma figura idêntica ao senhor quadrado.
A Música como citado anteriormente tem um papel importante na aprendizagem das crianças. De acordo com as Orientações Curriculares para a Educação Pré-Escolar (1997), a Música desenvolve-se em torno de cinco eixos fundamentais: escutar, cantar, dançar, tocar e criar (p.63-65).
O investigador Kalmer (referido por Jensen, 2002), ”descobriu que a música estabelece muitas correlações positivas com a escola” (p.64).
Os conceitos matemáticos são de extrema importância para o desenvolvimento do pensamento das crianças e vão sendo construídos com as suas vivências, de forma mais ou menos consciente. Segundo Barros e Palhares (1997), a “matemática é reconhecidamente decisiva para a estruturação do pensamento humano e a plena integração na vida social” (p.9).
Como afirma Negrine (citado por Caldeira, 2009) as atividades lúdicas permitem a “formação do autoconceito positivo, desenvolvendo integralmente a criança, pois é através delas que a criança se desenvolve afetivamente, convive socialmente e opera mentalmente.” (p.44).
Os Blocos Lógicos são um material estruturado, sendo constituído por diversas peças, com atributos diferentes. De acordo com Saraiva (2003), “são constituídos por 48 peças, que se distribuem em quatro figuras geométricas: círculo, quadrado, retângulo e triângulo. Estas peças possuem dois tamanhos e em cada um deles: 2 espessuras (fino e grosso) e 3 cores (vermelho, azul e amarelo)” (p.148). É o caminhar para a compreensão das ciências exatas.
Mais um dia se findava, cheio de inovações e descobertas, os bolsos cheios de recadinhos e a minha participação perante a turma era constante, a professora de uma atenção ímpar sempre me informando questões e relatando fatos, tais elementos me faziam sentir-me a vontade e tranquila.


9.1.8. OBSERVAÇÃO PARTICIPATIVA – 01 DE MARÇO DE 2013

Sexta- feira, o cansaço era visível e o frio na barriga também, pois sabia que na segunda seria eu a estar frente à turma, já tinha feito outras regências inclusive em níveis mais adiantados, mas como diz o velho ditado se não aparecer o medo não vale a pena prosseguir, pois a paixão havia se extinguido.
Neste dia a professora introduziu o sentido da visão, através de uma apresentação em PowerPoint, (coincidência, pois o tema que trabalharia com eles no segundo dia de regência seria este) no qual explicou qual o órgão da visão, a sua importância, as diferentes cores dos olhos e mencionou que algumas pessoas necessitam de óculos para verem bem. A professora fez uma abordagem breve sobre os recursos utilizados pelos sujeitos desprovidos de tal sentido, visto que as crianças se referiam a tal circunstância e traziam exemplos de sua própria vivência. As crianças deram o exemplo do cão guia e da bengala, como auxílio para os mesmos.
Após o lanche, a professora fez o jogo do dominó, em que as peças tinham imagens de sapatos com cores diferentes. Uma forma lúdica de aprender as cores.
A visão é um dos nossos cinco sentidos, e, é necessário que as crianças tenham esse conhecimento.
Segundo Hohmann e Post (2003), as “educadoras e auxiliares que baseiam os seus programas nos princípios da aprendizagem ativa compreendem e apoiam a abordagem sensorial e corporal que as crianças pequenas têm da aprendizagem” (p.27).
De acordo com Papalia, Olds e Feldman (2001), “a visão é o sentido menos desenvolvido na altura do nascimento” e acrescentam que “nos primeiros meses de vida verifica-se um rápido desenvolvimento da capacidade do bebê de seguir um alvo em movimento, assim como da percepção à cor” (p.169).
Para a criança, o jogo é a coisa mais importante da vida, e, de acordo com Guy (1963) existem dois tipos de jogo: o livre e o dirigido (p.7).
O interesse do jogo, por parte dos alunos, é uma força que comanda o processo de aprendizagem. As suas experiências e descobertas, e o próprio professor, é um gerador de situações estimuladoras e eficazes.
Antunes (1998) refere que “o jogo ganha um espaço como ferramenta ideal a aprendizagem, na medida em que propõe estímulo ao interesse do aluno” (p.36).
A semana se findava, a professora nas horas finais sentou-se comigo reviu meu planejamento e deu seu parecer final, desejou-me sucesso e me disse que estaria ali para o que eu precisasse. Fez-me um questionamento se eu me importava que o Pedagogo também assistisse a minha atuação, se tal fator me incomodaria, disse-lhe que não, mas o coração certamente bateu mais forte, visto que além do meu nome carregava o nome de uma instituição, mas sabia que era capaz e resolvi enfrentar este desafio.


10. REGÊNCIA EM EDUCAÇÃO INFANTIL – 04 DE MARÇO DE 2013

O estágio supervisionado por ser considerado o marco inicial de inserção do profissional no seu futuro ambiente de trabalho é de extrema relevância para a construção da identidade do mesmo. Por isso, é importante que esse momento seja construtivo e satisfatório a fim de permear suas futuras práticas pedagógicas.
No que concerne às observações realizadas durante o estágio foi possível perceber que a escola busca desenvolver práticas pedagógicas que venham a atender as necessidades das crianças, permeadas entre o cuidar, o brincar e o educar. Isso porque a instituição conta com uma estrutura física, organizacional e pedagógica adequada para desenvolver um trabalho sócio-educativo e cultural pautado nas necessidades, peculiaridades e aspirações da comunidade onde a mesma se encontra.
Mesmo diante dos desafios, das descobertas e da paixão aflorada diante do conhecimento da realidade foi durante a regência, que o estágio contribuiu positivamente para a minha formação. Desse modo, é notório explanar que os desafios sempre existirão tendo em vista a complexidade inerente ao ato de ensinar e aprender. Portanto, é possível afirmar que o estágio supervisionado na Educação Infantil é gratificante uma vez que a partir desse momento percebem-se as inúmeras manifestações inerentes a esse lócus, tais como, as peculiaridades do alunado, as relações estabelecidas entre os sujeitos, às práticas pedagógicas desenvolvidas e o processo de ser e tornar-se professor.
Diante de tais perspectivas chegava a hora de descrever a primeira regência realizada na Escola Municipal David Carneiro.
O dia de hoje foi diferente para as crianças, uma vez que as aulas foram dadas por mim.
Comecei cedo a movimentação e arrumação do espaço para a realização da Corrida Maluca, contando com o auxílio de algumas professoras e também do Pedagogo, que se mostrava interessado e atento às propostas por mim hora apresentadas.
 O espaço utilizado foi à quadra externa coberta, por ser um espaço amplo e equipado para tais práticas. O intuito da Corrida Maluca era abordar conteúdos matemáticos, tudo feito de maneira lúdica e divertida, pois através das atividades lúdicas é possível formar o autoconceito e o reconhecimento de regras, bem como propiciar a socialização com o meio e a interação com o grupo.
As atividades lúdicas possibilitam o desenvolvimento integral da criança já que é através destas que o sujeito desenvolve-se afetivamente, aprende a conviver socialmente e a respeitar regras.
Brincando a criança aprende, compara, amplia seu horizonte, analisa, nomeia, mede,associa,calcula,classifica, compõe, conceitua e cria novas percepções de conteúdos, do eu e do mundo. O brinquedo e a brincadeira traduzem o mundo para a realidade infantil, facilitando o aprendizado.
Por volta das 13horas entrei em sala, às crianças encontravam-se sentadas em roda e foi desta forma que iniciei meu primeiro dia frente à turma Rabicó. Apresentei-me novamente, visto que tal fato fora dispensável, pois todos sabiam meu nome, era hora de explicar-lhes o que viera a fazer ali e o porquê estava acompanhando o trabalho deles durante todos aqueles dias, as crianças se mostravam interessadas e curiosas, havia uma menina que seu desejo era ser Pedagoga e ela era a mais animada e questionadora, queria saber tudo, de maneira geral a aceitação da turma foi ótima. Minha opção foi distribuir crachás, pois fiquei com medo que na hora do nervoso esquecesse o nome de alguma criança, salientei que daquele momento em diante elas seriam marujos e eu um capitão, e por tal motivo coloquei um chapéu que lembrava um capitão pirata, o encantamento das crianças era visível, elas permaneciam estáticas esperando as próximas ordens, o nervoso começava a passar.
Cantei com eles a música Cinco Patinhos, fazendo gestos e possibilitando a expressão de cada um, todos conheciam a música então foi fácil trabalhar. Logo em seguida organizei as crianças em fila e nos dirigimos para o pátio externo, no qual seriam realizadas as provas da Corrida maluca, até então nenhum per clave havia ocorrido.
A turma era só atenção, bem como a professora e o Pedagogo que acompanhavam tudo de perto.
Com as brincadeiras e jogos o espaço escolar pode-se transformar em um espaço agradável, prazeroso, de forma a permitir que se alcance sucesso na aula. Acredita-se que nós educadores temos que ser multifuncionais, ou seja, não sermos somente educadores, mas sociólogos, filósofos, psicólogos, recreacionistas e muito mais, para que possamos desenvolver as atividades, incentivar habilidades e produzir a confiança necessária em nossos educandos.
A turma é bastante organizada, participativa e interessada, possui fácil entendimento quanto à percepção das atividades propostas, interagem bem, socializam-se e participam ativamente.
Pode-se perceber algumas dificuldades da aluna Amanda, que não possuía muita destreza na realização das tarefas, mas não desistia e era sempre incentivada pelos colegas, cumprindo cada série até o final em contrapartida estava o aluno Rayan que é muito “elétrico” e quer fazer tudo rápido, mas de maneira geral a participação foi efetiva e bastante compensadora.
Acredita-se que as brincadeiras devem acompanhar a criança de educação infantil, pois nesse período da vida da criança, são relevantes todos os aspectos de sua formação, pois como ser bio-psico-social-cultural dá os passos definitivos para uma futura escolarização e sociabilidade adequadas como membro do grupo social a que pertence.
A abordagem da Matemática assenta na distinção entre os diversos tipos de objetivos curriculares, que segundo Barros e Palhares (1997), incluem os conhecimentos, as capacidades, os valores e as atitudes, de uma forma lúdica (p.9).
Para Caldeira (2009), o mais importante no aprender da Matemática é a atividade mental a desenvolver nas crianças e por elas mesmas (p.11).
Mais uma etapa vencida e o mais importante que valeu a pena, receber os cumprimentos da professora quanto minha performace e o Pedagogo foi só elogios quanto à preparação, empenho e materiais utilizados. Sai da instituição com a sensação de dever cumprido, de uma competição ganha e com a certeza de que os anos de preparação e empenho me trouxeram uma bagagem que me fizeram carregar o nome da Faculdade Bagozzi com glamour e segurança da realização de um bom trabalho.


10. REGÊNCIA EM EDUCAÇÃO INFANTIL – 05 DE MARÇO DE 2013

Segundo dia de intervenção o coração batia mais calmo, mas a expectativa era grande, hoje seria a vez de trabalhar uma viagem ao Corpo humano, os materiais foram pensados com carinho para que chamassem atenção para seu funcionamento real, a preparação foi árdua mais cada etapa valeu a pena e a grande boca utilizada em tantas intervenções, apresentações voltava à cena.
Cheguei cedo à instituição, visto que nesta data não tive aula na Faculdade, novamente utilizei o espaço exterior da instituição, arrumei cada detalhe com carinho e dedicação costumeiros, novamente o Pedagogo me auxiliou em cada etapa e se encantou com os materiais levados e a dedicação.
Nessa primeira fase seria trabalhado as partes do corpo humano de maneira lúdica, pois com as brincadeiras o espaço escolar pode-se transformar em um espaço agradável de conhecimento e entendimento, permitindo que o educador alcance sucesso em seu objetivos.
A criação de espaços para conhecimento e brincadeiras é uma das tarefas mais importantes para o professor, principalmente na escola de educação infantil. Cabe-nos organizar os espaços de modo a permitir as diferentes formas de conhecimento, de maneira tal, que as crianças que estejam realizando as atividades enriqueçam seu conhecimento visualizando situações reais de sua vivencia em sociedade.
A expectativa das crianças era grande, na roda de conversa foram trabalhados os conhecimentos prévios das crianças a respeito do corpo humano, novamente a participação foi em massa e o interesse nítido em cada pergunta.
Com a utilização de um fantoche em forma de corpo dei início às atividades, contando-lhes a história de Teddy – O Corpo e permitindo que cada criança participasse, tirasse suas dúvidas, questionasse. Todos prestaram atenção.
Ensinar não se limita somente a repassar informações ou mostrar apenas um caminho que o professor considera o mais correto, mas é ajudar o sujeito a tomar consciência de si mesmo, de suas dúvidas, de seus limites. É incentivar a criança a aceitar-se como sujeito, oferecendo-lhes ferramentas para que possa escolher dentre muitos caminhos, aqueles que sejam compatíveis com seus valores, sua visão de mundo e com as circunstâncias adversas que cada um irá encontrar durante a vida.
Organizei a turma para fazermos uma Viagem ao Corpo Humano. Mais uma vez professora e Pedagogo estavam presentes e consequentemente nesta data a diretora também veio conferir o espaço montado. As crianças ficaram estagnadas, queriam saber mais e mais sobre cada parte mostrada, seu funcionamento, sua utilidade, se realmente circulava sangue por entre as partes, foi espetacular.
Sem dúvida, os conteúdos podem ser trabalhados com o uso de atividades lúdicas, com o visual, sendo que desta maneira a criança é capaz de fixar conteúdos, compreender conceitos e formular questões.
Os folders estimularam a visualização das crianças e fizeram parecer que estavam realmente indo a um museu, viagem ou outro evento.
Ao elaborar materiais pedagógicos, há que ter em conta o tamanho das imagens, a adequação dos textos, as cores, de forma todas as crianças vejam bem, que todas sejam instigas e estimuladas.  Outra coisa importante é também as animações que damos aos objetos, textos e às próprias imagens.
Segundo Martins, Veiga, Teixeira, Tenreiro-Vieira, Vieira, Rodrigues, Couceiro, e Pereira (2009), “inicialmente, através do seu brincar, e posteriormente, de uma forma mais sistematizada quando acompanhada pelo adulto, a criança vai estruturando a sua curiosidade e o desejo de saber mais sobre o mundo que a rodeia” (p.12).
Antunes (1998) refere que “os jogos complementam os recursos auxiliares que levam a criança a, cada vez mais intensamente usar sua fala como instrumento de descoberta e inserção construtiva em seu mundo” e que “a aquisição do vocabulário da criança está diretamente ligada ao que ouve” (p.46).
Mais um dia terminado, a satisfação entre a equipe pedagógica era salientada em cada gesto e em cada palavra, sendo que nesta ocasião já veio o convite para posteriores elaborações de projetos e trabalhos com as crianças dos mais variados níveis, sai dali satisfeita e com a certeza de que o trabalho realizado tinha dado frutos.


10. REGÊNCIA EM EDUCAÇÃO INFANTIL – 06 DE MARÇO DE 2013


Hoje o dia seria corrido e cheio de emoções, visto que além da regência também tinha o treino para a competição, mas tudo era feito com amor e dedicação, então o dia de 24 horas passaria a ter 48, pois tais atividades eu amava fazer e buscava fazer bem feito.
Nesta data trabalharia os cinco sentidos.
Em conjunto com a professora regente, que costuma trabalhar com temáticas durante os planejamentos semanais, foi sugerido o tema “O corpo humano”, e dentro de tal contexto subdividi o conteúdo em duas temáticas: as partes do corpo trabalhado anteriormente e os cinco sentidos. Conteúdo este que seria trabalhado de forma transdisciplinar para vinte e oito crianças, trabalho realizado utilizando métodos de pesquisa-ação e observações que me fizeram perceber que havia uma mecanicidade docente que levava em consideração mais a disciplina comportamental do que atividades intencionais. Assim sendo, utilizei atividades lúdicas como metodologia em sala de aula, aplicando os eixos especificados nos Referenciais Curriculares Nacionais para a Educação Infantil. (BRASIL, 1998).  
O pesquisador precisa perceber a busca do saber como algo prazeroso, que lhe proporcione um olhar diferente do que tinha antes. A pesquisa tem papel ativo no ensino, e é por meio dela que se dará o processo de investigação. Para tanto, o professor pesquisador deve estar sempre em busca de novos horizontes, de novos conhecimentos, de análises reflexivas, enfim, de um novo saber. Por meio da pesquisa os futuros professores podem compreender e melhorar seu cotidiano escolar. De acordo com Oliveira (2003, p.41), “a prática atualiza e interroga a teoria, ou seja, a prática sinaliza questões e a teoria ajuda a apreender essas sinalizações, a interpretá-las e a propor alternativas”.
Numa primeira etapa trabalhei com tabelas visando à interpretação, observação e o reconhecimento das crianças, mas uma vez fui surpreendida com o entusiasmo e interação dos mesmos.
A participação no reconhecimento das partes representativas dos cinco sentidos fez com que todos interagissem e muitas perguntas foram feitas. A participação foi espontânea.
Muitos teóricos trouxeram relevantes pesquisas sobre a utilização da ludicidade no processo de ensino e aprendizagem, concluindo que os alunos desenvolvem a responsabilidade, a autoexpressão e a cognição. A criança sente-se estimulada e, sem perceber, vai se desenvolvendo e construindo seu conhecimento.
O planejamento foi elaborado para quatro horas de atividades, mas a curiosidade ia além, tendo como tema o conhecimento do corpo humano e dos cinco sentidos, trabalhado de forma transdisciplinar com os eixos matemática, linguagem oral e escrita, movimento, artes, música, identidade e autonomia, contidas nos Referenciais Curriculares Nacionais para a Educação Infantil. (BRASIL, 1998).
A disposição das crianças em círculo possibilitou experiências múltiplas, que estimularam à criatividade, a experimentação, a imaginação. Afinal , quando se tem a intenção de mudar a rotina, pode-se, por exemplo, fazer o que foi desenvolvido ao longo do estágio supervisionado: começar dispondo as cadeiras em meio círculo, utilizar fantasias e decorar os espaços como uma verdadeira viagem feita por dentro do corpo humano, de modo a surpreender as crianças, durante sua recepção. Nas experiências vivenciadas, a atitude promoveu alegria na chegada ao ambiente escolar.
A utilização da música foi um bom veículo de comunicação, pois teve o poder de alterar o comportamento e incentivar a realização das atividades com prazer. Muitas são as músicas infantis que podem ser adotadas nas diferentes modalidades e estratégias de ensino e aprendizagem. Na temática proposta, foi selecionado o tema “corpo humano”, para o qual há uma infinidade de opções musicais a serem exploradas pelo professor. Dentre elas, optei, nesta data, por uma canção que tem a seguinte frase padrão, a qual se repete com a alteração das partes do corpo envolvidas: “Pra entrar na casa do Zé, tem que bater o pé”... pra entrar na casa do Zé, tem de bater as mãos... pra entrar na casa do Zé, a canção permitiu que as crianças cantassem, participassem intensivamente dos movimentos, batessem os pés, as mãos e rodassem, acompanhando o ritmo da música no espaço da sala. E todos pudessem, à medida que fossem chegando, participar da brincadeira.
Para Craidy e Kaercher (2001, p.123), “(...) com a música podemos trabalhar o esquema corporal, a coordenação motora, a lateralidade, a expressividade. Além da possibilidade de conhecer os animais, as cores, a noção de número, a alimentação (...)”.
Os jogos e brincadeiras podem ser desenvolvidos no aprendizado das crianças de várias maneiras. Para a pesquisa-ação ora descrita, foram confeccionados materiais que incentivaram as crianças a transpor obstáculos, estimularam a criatividade.
As crianças foram exploradoras e gostaram bastante de observar diversos fatores no seu dia-a-dia. De acordo com Eshach (citado por Martins ET al., 2009) as crianças devem “(…) vivenciar situações diversificadas que, por um lado, permitam alimentar a sua curiosidade e o seu interesse pela exploração do mundo que as rodeia e, por outro, proporcionar aprendizagens (…)” (p.12).
Penúltimo dia de trabalho na escola, o cansaço era visível, entretanto a satisfação superava os desafios.


10. REGÊNCIA EM EDUCAÇÃO INFANTIL – 07 DE MARÇO DE 2013

Último dia de intervenção. Cheguei à instituição depois de um dia de aula, mas a animação era presente e a vontade de quero mais, grande. 
Logo me dirigi à sala, as crianças me aguardavam ansiosas e curiosas, até mesmo as crianças das outras turmas demonstravam interesse pela prática que estava perfazendo com o Pré II, vinham de todos os lados perguntar quando iria trabalhar com elas, quando iria dar aula para elas. Um fato marcante nesta data foi à decepção da turma de Pré I ao saberem que as estagiárias de outra instituição, não iriam naquela data, foi de cortar o coração, mas tudo faz parte e o show não pode parar afinal eu estava ali honrando o nome da instituição a qual pertenço.
Nesta data trabalharia língua portuguesa e novamente conteúdos referentes à disciplina de artes. A turma sem que eu pedisse se organizou em círculo e ficou na expectativa do início das atividades. De dentro de uma caixa fui tirando personagens de Monteiro Lobato e contando-lhes um pouco da história de cada um, salientando estava vestida de Visconde de Sabugoza.
As crianças prestavam atenção em cada movimento, em cada cena.
Afinal, é através da literatura que a criança desperta uma nova relação com diferentes sentimentos e visões de mundo, adequando assim, condições para o desenvolvimento intelectual e a formação de princípios individuais para medir e codificar os próprios sentimentos e ações.  Dialogando sobre esse assunto Bettelheim (1980) afirma que a criança desenvolve por meio da literatura, o potencial crítico e reflexivo. Afirma que a partir do contato com um texto literário de qualidade, a criança é capaz de refletir, indagar, questionar, escutar outras opiniões, articular e reformular seu pensamento.
Pude nesta fase observar que muitos alunos modificaram o seu jeito de pensar e agir ao ter o contato com a literatura passando a adquirir mais confiança à medida que se sentiam capazes de criar e dominar sua emoção e sua imaginação. Para a criança, a literatura é tudo na sua vida, pois é através dela que demonstra a sua realidade em forma de fantasia, através dos desenhos, das brincadeiras, das histórias, das músicas.
Para tanto, é pertinente que o professor introduza na sua prática pedagógica a literatura infantil e que a mesma disponha de informação que venha a contribuir para o desenvolvimento da criança, estimulando o aluno a buscar diferentes caminhos para as resoluções de problemas.
Através do contato com a mídia e a tecnologia as crianças se viram frente a um mundo digital e informatizado, no qual a participação foi contínua, alguns tiveram dificuldades, mas estava sempre presente auxiliando e mediando o processo.
A criação de espaços e tempos para jogos, brincadeiras, leitura é uma das tarefas mais difíceis do professor, principalmente na escola de educação infantil. Cabe-nos organizar espaços, de modo a permitir os diferentes conhecimentos, de maneira tal que as crianças que se encontrem mais atrasadas não sejam atrapalhadas por aquelas que realizam uma atividade que exige mais habilidade, mobilidade e expansão de movimentos, ou seja, observando e respeitando as diferenças de cada um.
Uma observação atenta pode indicar que a participação do mediador como elemento propulsor de enriquecimento das atividades desenvolvidas, introduzindo novos personagens ou novas situações que tornem o jogo, a leitura ou a brincadeira mais rica e interessante para a criança, aumentando suas possibilidades de aprendizagem.
Desta forma interagi quando ao trabalho frente aos jogos de computador com as crianças de maneira tal que não se sentissem tímidas ou fora de foco e a aceitação foi muito boa.
Na escola é possível se soltar e trabalhar os jogos como forma de difundir conteúdos. Para isso entendo ser necessários a vivência, a percepção e o sentido, ou seja, o educador necessita selecionar situações importantes dentro da vivência em sala de aula, perceber o que sentiu como sentiu e de que forma influencia o processo de ensino/aprendizagem, além de compreender que no vivenciar, no brincar, a criança é mais espontânea.
Procurei sempre manter a comunicação com as crianças, interagir junto a elas, sanar suas dúvidas, motivar para que não desistissem que sempre poderia haver um recomeço qualquer que fosse a atividade. Entende-se que a motivação característica dos exercícios é o simples prazer funcional. E suas finalidades para a criança, são, entre outras: servir como reforço às habilidades anteriormente adquiridas.
Foi compensador aliar teoria a prática, observar que quatro anos de formação de docentes e o complemento em Pedagogia me deram segurança e firmeza na atuação frente à turma. A satisfação foi grande em ver em cada rosto a alegria de me receber e principalmente ouvir palavras tão enaltecedoras da equipe pedagógica e da professora, certamente valeu à pena, pois tudo que é feito com prazer, amor e dedicação traz bons resultados.

                             REFLEXÃO FINAL


Terminado o estágio, fiz uma reflexão de tudo que vivenciei na sala de aula, percebi que criança gosta mesmo é de “coisas de crianças”, sendo assim, confesso que senti um grande alívio. Conhecendo casos de crianças que pulam certas fases, deixando de aproveitar sua infância, fico feliz ao ver brilho nos olhos infantis quando se deparam com obras mágicas, feitas para elas, brincadeiras e até mesmo com a tecnologia.
Durante toda a prática do estágio, pude perceber que todos os alunos se interessaram pelas atividades aplicadas, com isso, reforço à tese de que “criança tem que ser criança”. Muitos pais e até mesmo professores acabam deixando de lado, brincadeiras que o fizeram felizes no passado, com a desculpa do mundo estar em completa transformação e que isso já ficou para trás.
Com o projeto, percebi que as coisas do passado são muito úteis no presente, que ainda fazem as crianças felizes, refletem conhecimentos e as tornam formadoras de opinião.
Que a importância do professor pesquisador, reflexivo crítico e participativo é elementar para a formação de seres pensantes e atuantes em sociedade.
Confesso que fiquei surpresa ao ver tamanha fascinação das crianças, da professora e da equipe pedagógica pelas atividades propostas.
No estágio adquiri novos conhecimentos, aprendi muito, vi que ainda é possível uma educação de qualidade em uma escola pública, basta que o professor ao lado da comunidade e da família dos alunos, se esforce para dar a nossas crianças, oportunidades de serem “Agentes Participativos” na educação, e não apenas ouvintes, passivos.