UNINDO
TEORIA E PRÁTICA
Na data de 27 de fevereiro de 2013, na aula de Prática de formação
buscou-se discutir a respeito do grande desafio com o qual o aluno de um curso
de licenciatura tem de lidar unindo prática e teoria na sua atuação
profissional. “Não é só frequentando um curso de graduação que um indivíduo se
torna profissional. É, sobretudo, comprometendo-se profundamente como construtor
de uma práxis que o profissional se forma” (FÁVERO, 1992, p.65). Tornando-se isso
possível durante a vida acadêmica do aluno através do estágio.
A
formação do professor/ pedagogo é um processo que transpõe os limites das salas
de aula das universidades, ela não é composta apenas do arcabouço teórico
adquirido durante a graduação, mas fazem parte desse processo todas as
experiências e práticas vivenciadas pelo profissional durante a sua prática
docente. Deste modo, tanto o aprender a profissão docente quanto dar
continuidade a mesma faz parte do cotidiano do professor. É dessa forma que o
profissional conseguirá sempre fazer a ligação entre teoria e prática.
A
formação docente se dá muitas vezes pela prática em sala de aula, a partir da
relação feita entre teoria e prática e na reflexão diária de seu exercício.
Portanto, o estágio supervisionado pode contribuir diretamente no processo de
formação dos educadores, pois através dele o futuro profissional tem a
oportunidade de entrar em contato com sua área de atuação, refletindo sobre a
sua prática, na busca de uma melhoria no processo de ensino/aprendizagem.
As
contribuições das disciplinas de estágio nos cursos de formação de professores
são inegáveis, pois além de promoverem um contato direto com o magistério,
contribuem para uma inter-relação entre os componentes curriculares e a
prática.
Face
aos problemas encontrados nas escolas hoje, o professor precisa desenvolver uma
prática docente que possibilite ao alunado um desenvolvimento de habilidades
que contribuam de forma efetiva na construção do conhecimento. Por isso uma
formação que ofereça subsídios que contribuam com o professor neste sentido, é
indispensável.
Nos
encontros com o orientador é possível trocar experiências, sanar dúvidas,
levantar questionamentos, refletir sobre a prática e a ética no ambiente de
sala de aula, é um momento único que poucos sabem aproveitar, entretanto
enriquece a vida profissional e pessoal de cada sujeito em formação.
A
disciplina de Prática de Ensino ou prática de formação me acompanha desde a
fase do curso de Formação Docente e hoje na Faculdade de Pedagogia se faz
presente como elemento propulsor desde o 3º semestre do curso revelando
caminhos entre a teoria e a prática pedagógica e cada vez mais enaltecendo o
caminho da pesquisa na área de educação.
Sendo
este um dos grandes desafios a serem superados, pois na teoria quase sempre se
diz uma coisa, e na prática as coisas tendem a mudar, busco no decorrer de
minha formação conciliar e encontrar um caminho que me leve a algumas
respostas.
Muito
se aprende nesta disciplina, mas o aprendizado é doloroso, implica em fazer
mudanças interiores. Muitas horas dedicadas à leitura de livros, análises
reflexivas sobre a prática e enquanto acadêmicos e pessoas participantes de uma
sociedade em constante mudança. É todo um reconstruir em cima de conceitos
cristalizados no qual o novo tende sempre há assustar um pouco.
Penso que a disciplina de Prática de Formação criou em mim muitos conflitos interiores, comecei a repensar muito sobre minha forma de trabalhar, de me posicionar frente às questões cotidianas pessoais e profissionais, me tornei sem dúvida uma pessoa mais reflexiva, crítica e muitas vezes exigente. Fez-me escolher um caminho que desejo, e certamente lutarei para conseguir que é o do professor pesquisador, aquele que busca novos rumos e atitudes frente às divergências do mundo rotineiro, do árduo caminho denominado EDUCAÇÃO.
Penso que a disciplina de Prática de Formação criou em mim muitos conflitos interiores, comecei a repensar muito sobre minha forma de trabalhar, de me posicionar frente às questões cotidianas pessoais e profissionais, me tornei sem dúvida uma pessoa mais reflexiva, crítica e muitas vezes exigente. Fez-me escolher um caminho que desejo, e certamente lutarei para conseguir que é o do professor pesquisador, aquele que busca novos rumos e atitudes frente às divergências do mundo rotineiro, do árduo caminho denominado EDUCAÇÃO.
Hoje,
tenho a convicção e certeza que tais esforços certamente valerão a pena, pois me
trazem segurança e consciência do meu papel como futura pedagoga.
Corresponder
às reais necessidades apresentadas pelo cotidiano escolar contemporâneo é um
desafio que se coloca a qualquer atividade profissional docente que,
atualmente, ultrapassa a prática de aplicar uma teoria aprendida ou repetir
procedimentos e/ou metodologias utilizadas em outros contextos anteriores.
Tal
desafio se apresenta aos professores porque suas práticas profissionais são
cada vez mais marcadas por uma rápida obsolescência da informação, do saber e
do conhecimento e, por mutações, irreversíveis e acentuadas nas esferas sociais,
históricas, econômicas, tecnológicas, culturais, entre outras, fazendo com que
essa prática profissional se torne, cada vez mais, um aspecto de considerável
importância nos cursos de formação de professores.
Ao
tratar da formação dos professores para a Educação Básica, Pimenta (2001, p.
39) constata uma distância entre o processo de formação inicial dos professores
e a realidade encontrada nas escolas e chama a atenção para um problema que há
tempo se instaura no processo de formação profissional, que diz respeito à
relação entre a teoria estudada nas Universidades e a prática desenvolvida no
ambiente profissional, entre a formação e o trabalho. Para ela, a formação
docente não se constrói apenas por acumulação de cursos, de conhecimentos ou de
técnicas, mas por meio de um trabalho de reflexão crítica sobre as práticas e
de uma (re) construção permanente de uma identidade pessoal (PIMENTA, 2002).
A
insatisfação trazida pela dicotomia entre situações de formação e situações de
trabalho mobiliza as Universidades para que avaliem seus cursos de formação de
professores na direção de privilegiar, em seus currículos, a dimensão prática,
não como espaço isolado, mas como um elemento articulador do curso.
Considerando
a necessidade de privilegiar, também, a dimensão prática nos cursos de
formação, entende-se que o Estágio Curricular, se bem fundamentado, estruturado
e orientado, configura-se como um momento de relevante importância no processo
de formação prática.
Visto
tal perspectiva o Projeto de Estágio Curricular do Curso de Pedagogia da
Faculdade Bagozzi prevê um movimento de alternância entre situações de formação
e situações de trabalho no decorrer do curso, cujo objetivo é o confronto e a
problematização das realidades distintas, uma vez que “a formação docente
faz-se pelo trabalho de reflexão crítica sobre a prática pedagógica, a
realidade, a fundamentação teórica estudada, bem como pela reconstrução
permanente da identidade pessoal e profissional” (LIMA, 2001, p. 58).
É
claro nesse longo percurso de sete anos, envolvida com as aulas de Prática de
formação é fácil conseguir reconhecer o crescimento profissional e pessoal, a
capacidade de observar com mais propriedade o complexo fenômeno da educação, o discernir
e visualizar as possibilidades e as limitações da prática.
[...] o cotidiano da sala de aula caracteriza-se como
fonte inesgotável de conhecimentos, e desta fonte que deverão ser retirados os
elementos teóricos que permitam compreender e direcionar uma ação consciente
que procure superar as deficiências encontradas e recuperar o real significado
do papel do professor, no sentido de apropriar-se de um “fazer” e de um “saber
fazer” adequados ao momento que vive a escola atual (ALMEIDA, 1994, p. 39).
Finalmente, outro elemento, significativo a
ser citado é a possibilidade de interagir com profissionais, orientadores no
contexto de sala de aula, estabelecendo verdadeiras parcerias e troca de
opiniões.
Somente a vivência adquirida dentro de uma
sala de aula, através dos estágios, consegue elucidar as reais dificuldades que
surgem na decorrência de tão difícil tarefa. As diferenças existentes entre os
alunos são visíveis e precisam ser respeitadas e consideradas. A prática
necessita de constantes ajustes e modificações, exigindo dos profissionais da
área dedicação, seriedade e comprometimento. Portanto, os momentos de estágio
são imprescindíveis para qualquer profissional, até mesmo para que ele consiga
definir se é realmente aquilo que deseja abraçar e desenvolver.
Sabe-se que, em muitos casos, a parceria,
professor/estagiário é uma situação delicada e conflituosa na realização dos
estágios, uma vez que a relação entre tais profissionais e os estagiários ainda
não é vista como uma situação de complementaridade, de interdependência entre
os indivíduos envolvidos no processo para construção de conhecimento. Muito
pelo contrário, essa relação ainda é marcada por inúmeras situações
constrangedoras em que o estagiário é visto como aquele que está para “julgar”
uma prática pedagógica profissional alheia.
A interação que se quer construir em função
da formação prática profissional reconhece “os professores de profissão não
como objetos de pesquisa, mas como sujeitos do conhecimento” (TARDIF, 2002, p.
238). Em outras palavras, considera-se que os professores que desenvolvem profissionalmente
sua docência construíram, no decorrer de suas trajetórias, saberes que nem
sempre são “ensinados”, como são ensinadas as teorias.
Sobre tal afirmação acredito poder falar com
veemência e segurança que tanto o estágio quanto a prática de formação é uma
troca de experiências, uma oportunidade de conhecer outras formas de trabalho e
também repensar posturas. Tais atividades, aliando prática e teoria é uma grande
experiência, visto que mediante elas o futuro professor tem a oportunidade de
entrar em contato com uma sala de aula, refletir, pesquisar, repensar,
discutir, expor opiniões e ideias.